Efeitos da poluição? Desequilíbrio entre espécies? Mudanças de comportamento? Os caranguejos-eremitas, conhecidos pelo seu comportamento de mudar progressivamente de concha para se protegerem, estão cada vez mais a usarem pedaços de plástico para fazerem a ‘casa’.
Mark Briffa, especialista em comportamento animal da Universidade de Plymouth, no Reino Unido, alerta para este fenómeno cada vez mais verificado, como veio demonstrar um estudo de investigadores polacos.
Foram estudadas 386 imagens de caranguejos eremitas a usarem pedaços de plástico, metal ou vidro como conchas artificiais e, na maioria dos casos, os investigadores apuraram que os animais pareciam preferir o plástico (verificado em em 326 casos).
Sem mais análises, seria um exemplo notável de como as atividades do ser humano podem alterar o comportamento dos animais e também de como as populações e ecossistemas funcionam e se relacionam, como resultado. Mas os investigadores alertam que, antes de tirar conclusões precipitadas, é necessário perceber que há muitos fatores a ter em conta.
Os caranguejos eremitas procuram conchas grandes o suficiente para se protegerem de predadores, mas a decisão na altura de ‘trocar’ de abrigo é também avaliado o tipo de concha, o seu estado, peso ou até cor.
Também a disponibilidade de conchas adequadas é um aspeto a ter em atenção, já que, segundo o estudo de investigadores da Universidade de Varsóvia, por uma razão ainda desconhecida, estão a verificar-se cada vez mais casos destes animais a ocuparem lixo plástico em vez de conchas naturais.
Os cientistas levantaram várias questões face ao comportamento, e adiantam algumas hipóteses. Para já, adiantam que os números são subestimados, já que se utilizaram imagens carregadas por utilizadores numa plataforma própria, e por isso uma amostra de animais que vivem apenas em zonas acessíveis pela população.
Porquê o plástico? Os especialistas especulam que os caranguejos-eremitas podem escolher itens de plástico devido à falta de conchas naturais, mas também o facto de ser um material leve, dando a mesma proteção, pode levar a que o animal o escolha, por representar menos custo energético para o carregar às costas.
Outro aspeto destacado por Mark Briffa, é o facto de vários estudos científicos já terem demonstrado que o plástico, ao degradar-se, emite produtos químicos que imitam o odor dos alimentos preferidos dos caranguejos-eremitas.
Também, destacam, os microplásticos e compostos de lixívia produzidos pelo plástico ao degradar-se também podem alterar o comportamento destes crustáceos e até a sua personalidade, ficando menos exigetes com as conchas escolhidas ou mais propensos a assumir riscos.
Por outro lado, as duas hipóteses levam a uma terceira: o problema que o comportamento pode significar para a espécie. Como o plástico é normalmente mais brilhante e colorido do que as conchas, contrastam mais com o fundo do mar, deixando os caranguejos-eremitas com concha artificial mais vulneráveis aos predadores.
Briffa aponta que a investigação polaca funciona” como um sinal de alarme”, mas que as potenciais mudança de comportamento dos caranguejos-eremitas têm de ser estudadas a fundo, a fim de se aferir a sua origem, causas, e potenciais consequências.






