Cristo “efeminado” no cartaz oficial da Semana Santa em Sevilha causa polémica

Foi criada uma petição, que já reuniu mais de 12 mil assinaturas, na plataforma ‘Change.org’ para exigir a retirada do cartaz oficial da Semana Santa em Sevilha

Francisco Laranjeira

O cartaz oficial das celebrações da Páscoa em Sevilha (Espanha), da autoria do artista plástico Salustiano García, está a causar polémica: isto porque foi representado Jesus Cristo ressuscitado, com um pano banco que o cobre da cintura para baixo. O rosto, no entanto, é o do filho do pintor, Horácio, de 27 anos).

A imagem tem sido criticada nas redes sociais pelo seu caráter “sexualizado”, mas o autor já defendeu a sua visão, em entrevista ao jornal espanhol ‘ABC’: “É preciso estar doente para ver sexualidade no meu Cristo”, referiu García, explicando que “não há nada” no seu quadro que “não esteja representado em obras de arte há muitos séculos”. “É um trabalho gentil que não quer ser revolucionário. É doçura e ternura, movo-me nesse território”, frisou.



Foi criada uma petição, que já reuniu mais de 12 mil assinaturas, na plataforma ‘Change.org’ para exigir a retirada do cartaz oficial da Semana Santa em Sevilha. As críticas mais ferozes chegaram do Instituto de Política Social, organização que defende os “símbolos cristãos” e que se posiciona contra o aborto, descreveu o cartaz como “uma verdadeira vergonha e aberração”, ao apresentar um Cristo “efeminado”.

A organização da Semana Santa de Sevilha, que reúne as irmandades que participam nas procissões da festividade católica local, indicaram, em comunicado, que a criação reflete “a parte luminosa da Semana Santa” no “mais puro estilo deste prestigiado pintor”.

Juan Espadas, líder do Partido Socialista no poder em Espanha na região sul da Andaluzia, veio em defesa da obra de arte, denunciando as “expressões de homofobia e ódio” que esta provocou e dizendo que combinava a “tradição e modernidade” da região.

As celebrações da Semana Santa, que recordam a morte e ressurreição de Cristo, são muito importantes numa Espanha profundamente católica, nomeadamente em Sevilha, que é amplamente vista como o centro das festividades.

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