A plataforma de sindicatos da PSP e associações da GNR estão hoje em protesto no Porto para contestar o tratamento que consideram “desigual e discriminatório” em relação à Polícia Judiciária. O protesto segue-se a outro semelhante, em Lisboa, que reuniu cerca de 15 mil elementos destas forças de segurança.
A plataforma, composta por sete sindicatos da Polícia de Segurança Pública e quatro associações da Guarda Nacional Republicana, reuniu no mês passado com “o objetivo de discutir, planear e agendar novas ações de protesto motivadas pela questão dos suplementos remuneratórios, em particular a falta de paridade com a Polícia Judiciária”.
No final do encontro a plataforma considerou que continua “a ser incompreensível que o racional que está subjacente ao valor de suplemento de missão da PJ não se aplique à PSP e GNR, que continuam a sentir-se desrespeitados, desconsiderados e desvalorizados pelo Governo”.
“Se tivéssemos o bisturi da greve, provavelmente, a surdez seletiva do governo ficasse curada”, acusam os sindicatos da PSP e associações da GNR.
Plataforma espera respostas dos partidos
Sem “vinculação política assumida”, a plataforma de representantes da PSP e GNR manteve as ações de protesto agendadas, disse, na semana passada, o porta-voz, Bruno Pereira, que espera que os partidos concretizem as promessas “de uma vez por todas”.
Lamentando que a “irresponsabilidade do Governo” se mantenha, a plataforma anuncia que decidiu cortar relações com o Ministério da Administração Interna (MAI) por “falta de interesse, tempo e incompetência objetiva comprovadas, e continuar a “marcação cerrada ao Governo”, que as estruturas sindicais apontam como “principal responsável”.
“Quero acreditar que, como nunca tivemos na agenda mediática uma discussão tão alargada e tão profunda sobre o sistema de segurança interna e as forças de segurança, que seja desta, de uma vez por todas, que haja respaldo relativamente às promessas e ideias. Têm que ter consequência e quero acreditar que, a breve trecho, vejamos a luz ao fundo do túnel”, afirmou o presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia (SNOP).
Bruno Pereira falava aos jornalistas à saída de uma reunião pedida pela plataforma, composta por sete sindicatos da PSP e quatro associações da GNR, com representantes do PS, PSD, CDS, Chega, BE, PCP, PAN e Livre.
O encontro realizou-se dois dias após uma manifestação, que juntou milhares de elementos daquelas forças de segurança em Lisboa, a mais visível dos protestos realizados nas últimas semanas para exigir um suplemento de missão idêntico ao que foi atribuído à PJ.
Apesar de considerar a reunião “bastante esclarecedora”, Bruno Pereira adiantou que os protestos previstos vão manter-se, porque não houve, da parte dos partidos políticos, uma “vinculação política assumida”.
“Iremos manter para dar reforço e dar lastro a esta discussão, porque é uma discussão importante que tem de ser tida e tem de ser conseguida ao mais alto nível”, sublinhou.
Ainda assim, reconhece que, da esquerda à direita, as reivindicações dos elementos da PSP e GNR foram reconhecidas e recebidas com solidariedade, e mostrou um otimismo contido em relação ao futuro, após as eleições legislativas, marcadas para 10 de março.
“Acreditamos que (a reunião) tenha sido extremamente importante para que, de forma alargada e histórica — tenho ideia de nunca ter acontecido — os partidos saiam daqui mais vinculados e compromissados com aquilo que devem fazer para valorizar a condição policial e igualá-la, no caso concreto com o suplemento de missão da PJ”, sublinhou.







