Os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE fazem hoje uma visita surpresa à capital da Ucrânia para uma reunião informal que pretende ser uma demonstração de apoio ao país devastado pela guerra.
É a primeira vez que os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE se reúnem informalmente num país terceiro, para não falar num país em guerra.
A reunião segue-se a outra visita histórica em Fevereiro, quando a liderança da UE aterrou em Kiev para consultas entre a Comissão Europeia e o governo ucraniano e uma cimeira UE-Ucrânia.
Borrell revelou pela primeira vez a intenção de trazer os seus homólogos europeus ao terreno na Ucrânia no início deste mês, à margem da Assembleia Geral da ONU em Nova Iorque.
No sábado (30 de Setembro), Borrell fez uma visita à cidade portuária de Odesa, na Ucrânia, no Mar Negro, onde condenou como “bárbaros” os danos infligidos pelos recentes ataques russos à cidade.
O responsável também censurou o presidente da Rússia, Vladimir Putin, por encerrar um acordo de grãos mediado pela ONU que permitia as exportações ucranianas através do Mar Negro, apesar do bloqueio dos portos pela Rússia, que tem sido visto como essencial para enfrentar a insegurança alimentar global e conter os preços dos cereais.
“Apesar de tudo isso, a Ucrânia continua a ser o maior fornecedor de cereais para o Programa Alimentar Mundial, e essa é outra razão para continuar a apoiar a Ucrânia”, disse Borrell.
Garantias de segurança, ajuda militar
Segundo a imprensa internacional, os principais tópicos da agenda da reunião deverão ser a integração da Ucrânia na UE, uma demonstração de apoio enquanto o país se encontra numa fase crítica da sua contra-ofensiva contra a Rússia, e fazer um balanço de algumas medidas críticas, como a ajuda militar e maior endurecimento das sanções.
À margem da reunião com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba, os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE também deverão reunir-se com o presidente Volodymyr Zelenskyy.
“Esperamos que durante as conversações em Kiev os ministros dos Negócios Estrangeiros tenham uma discussão significativa sobre os compromissos de segurança”, disse um funcionário da UE.
Em declarações aos jornalistas, em Kiev, no domingo (1 de outubro), Borrell disse que o bloco aumentaria o apoio militar à Ucrânia depois de o Congresso dos EUA ter aprovado um projeto de lei provisório de financiamento na noite de sábado que omite ajuda à Ucrânia.
Borrell disse que face a uma “ameaça existencial para a Europa”, a “proposta sobre a mesa” mostrava que a UE queria aumentar a ajuda militar à Ucrânia.
O responsável falava após sua primeira reunião pessoal com o ministro da Defesa ucraniano, Rustem Umerov, nomeado no mês passado.
“Vamos ver o que vai acontecer nos EUA, mas da nossa parte continuaremos a apoiar e a aumentar o nosso apoio”, disse Borrell, questionado sobre a votação em Washington.
“Os ucranianos estão a lutar com toda a sua coragem e capacidade”, disse. Se a UE quiser que eles tenham mais sucesso, acrescentou, “temos de lhes fornecer armas melhores e maiores”, acrescentou.
Até à data, no âmbito do MEP, a UE atribuiu 5,6 mil milhões de euros à Ucrânia. No entanto, as negociações a nível da UE revelaram-se tensas, com os complementos ao fundo a registarem frequentemente atrasos ou oposição total por parte da Hungria.
Perspectivas de adesão
Outra questão na agenda serão as futuras perspectivas de adesão da Ucrânia.
A Ucrânia solicitou a adesão à UE poucos dias após a invasão da Rússia, em 24 de fevereiro de 2022, e obteve o estatuto de candidatura vários meses depois, num forte sinal de apoio.
O Comissário do Alargamento, Olivér Várhelyi, participa na reunião em nome da Comissão Europeia, que deverá publicar o seu relatório anual sobre os progressos do alargamento ainda este mês.
Com base no relatório, espera-se que os líderes da UE decidam em Dezembro se abrem ou não negociações de adesão com a Ucrânia e, possivelmente, com a Moldávia.






