A crise habitacional em Portugal tem feito correr muita tinta nos meios de comunicação nacionais mas os impactos e os casos mais gritantes já estão também a ter eco lá fora. Em particular, os casos de pessoas que, incapazes de pagarem os valores cobrados pelas rendas em Lisboa, se veem obrigadas a viver em tendas, na Quinta dos Ingleses, em Carcavelos, já deram mote a notícias em jornais e canais de televisão em Espanha.
O jornal espanhol El Economista escreve que “Se há uma cidade europeia que tem sido afetada pelos elevados preços dos arrendamentos, é Lisboa, em resultado do aumento do investimento estrangeiro em propriedade e da falta de novas habitações acessíveis”, indicando que os preços das rendas chegam a ser o triplo do salário mínimo em Portugal.
Perante esta situação, o diário espanhol adianta que há cidadãos a tomarem “medidas extremas” para conseguirem sobreviver nesta crise habitacional, referindo-se a quem se vê obrigado a viver em tendas.
É depois referida reportagem do canal de televisão público RTVE, que acompanhou a situação em que vivem, por exemplo, Danielle e o marido, João, que tiveram de sair do apartamento onde viviam, quando esta empregada de mesa, que recebe menos de 1000 euros e pagava 800 euros de renda, viu o contrato de arrendamento não ser renovado.
En Portugal la subida de precios ha hecho que empiecen a verse asentamientos, en tiendas de campaña, de gente que no puede pagar el alquiler.
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— Telediarios de TVE (@telediario_tve) September 26, 2023
“Não tendo dinheiro para alugar, eu e o meu marido decidimos comprar uma tenda. Há pessoas que têm de pagar 600 ou 700 euros por um quarto, e isso é impossível”, relatou à TVE.
Recorde-se que o mesmo casal admitiu, em entrevista à SIC, que pediu ajuda a instituições como a Segurança Social e Santa Casa da Misericórdia, mas que nada travou o desfecho agora verificado.
De dia para dia, são cada vez mais as pessoas que chegam à Quinta do Ingleses na mesma situação. “Todos os dias chega mais gente. Queixam-se do mesmo, rendas, AirBnBs, alojamentos locais… Estão a ser despejadas, como se fossem sacos do lixo”, lamenta João.
Os casos multiplicam-se na ‘vizinhança’ de João e Daniele: Andreia Costa pagava 400 euros de renda e, auferindo o ordenado mínimo, de 760 euros por mês, não lhe chegava orçamento para chegar ao fim do mês. Agora tem esperança de um dia conseguir comprar uma caravana. No Brasil era carpinteira, hoje em Portugal trabalha como empregada de limpeza e aproveita a casa de algumas clientes para poder tomar banho.
Mais ao lado outra vizinha queixa-se que pagava mais de 230 euros por uma cama, num quarto partilhado com outras quatro pessoas.
A Câmara nega responsabilidades, já que o terreno é privado. Algumas das famílias que ali vivem recebem apoio do Centro Paroquial de Carcavelos.














