Chegam a Portugal diariamente cada vez mais imigrantes e, ao mesmo tempo, cresce o negócio milionário do mercado negro de documentos falsificados, que permitem a quem chega ficar no nosso País, de forma ilegal, e depois seguir para qualquer país da União Europeia.
Chegam de países com a Índia, Bangladesh, Nepal e outros territórios, muitas vezes de forma ilegal, tendo Portugal como destino final, já que providencia um acesso fácil a outros países da UE. Para permanecer em Portugal o título de residência é fundamental, se o imigrante quiser trabalhar segundo as regras, ter acesso ao SNS ou abrir uma conta bancária mas, quando não há hipótese de ter a documentação necessária, são muitos os que recorrem ao mercado negro de documentos falsificados e esquemas paralelos, que têm proliferado nos últimos anos.
A SIC falou com um imigrante que obteve toda a documentação de que precisava e verificou que, numa barbearia em Lisboa, no piso de baixo, funcionava uma espécie de escritório que assegura documentos falsificados por 300 euros.
O imigrante, natural da Índia, foi primeiro para Itália e depois para França, onde nunca conseguiu legalizar a sua situação para ficar a viver naquele País. Acabou aconselhado a tentar a sorte em Portugal, por um luso-descendente, que lhe pediu 6 mil euros para lhe dar instruções sobre como proceder.
Segui o que lhe foi dito: à chegada a Portugal deu o passaporte como roubado numa esquadra da polícia, fazendo desaparecer o visto caducado carimbado nesse documento, e depois, já com o relatório do roubo na mão, foi à Embaixada da ìndia em Lisboa para pedir um novo passaporto.
Entregou a cópia do documento a outro intermediário e pagou 300 euros, que lhe deram direito a número de contribuinte, cartão de utente do SNS, Segurança Social e ainda a um contrato de trabalho.
Todos os documentos são falsos e o homem garante que não conhece a empresa com a qual assinou o suposto contrato de trabalho, nem sabe onde fica. O mesmo com o atestado de residência: a morada que consta no documento é desconehcida por este imigrante.
Explica este homem que, quando há problemas e deteção de documentos falsos há advogados com uma relação próxima do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) que ‘ajudam’ a desbloquear a situação, pagando aos funcionários do SEF.
Para ter acesso aos documentos, basta visitar a referida barbearia, e, com apenas uma foto do imigrante numa loja ou estabelecimento comercial em Portugal, como prova de que está em território nacional, e o pagamento de 300 euros, é dado início ao processo, sendo que um ano depois tem-se o tão desejado visto de residência.
A Polícia Judiciária confirma ter neste momento a decorrer “várias investigações” relacionadas com fortes suspeitas de esquemas de falsificação de documentos.
Quem tiver mais dinheiro pode mesmo ter documentos oficiais. Por 20 mil euros é possível arranjar um passaporte português original.
O SEF, confrontado com perguntas sobre os alegados subornos, diz ao mesmo canal que “qualquer entidade ou pessoa que tenha informações a respeito de alegadas práticas irregulares deve comunicar as mesmas às autoridades competentes para que procedam em conformidade”.
Esta situação, recorde-se, terá tendência a agravar-se ainda mais já que o SEF será extinguido muito em brave, dando lugar à Agência para as Minorias, Migrações e Asilo.





