França proibiu qualquer tipo de véu islâmico para todos os seus atletas presentes nos Jogos Olímpicos, que se vão realizar em Paris, em 2024, opondo-se desta forma direta à doutrina social das Nações Unidas e do Comité Olímpico Internacional (COI), o que promete levantar forte polémico nacional e internacional.
No entanto, não está ainda claro como França poderá reagir se mulheres de outros países decidirem participar nos Jogos Olímpicos de Paris com roupas muçulmanas.
“Ninguém deve impor a uma mulher as roupas que ela pode ou deseja usar livremente. Em termos gerais, o Alto Comissariado para os Direitos Humanos opõe-se a qualquer proibição dos vários lenços islâmicos”, garantiu um porta-voz oficial das Nações Unidas. De uma forma menos rígida, o COI adotou esta como uma doutrina não oficial.
No entanto, esta quarta-feira, Amélie Oudéa-Castéra, ministra do Desporto e próxima do presidente Emmanuel Macron, respondeu a ambas as instituições internacionais: “O Governo francês deseja fazer cumprir o nosso regime de secularismo estrito. O que significa isso? Simplesmente, a proibição de todas as formas de proselitismo religioso, a neutralidade absoluta no serviço público. Assim, naturalmente, os representantes das nossas delegações e equipas não usarão qualquer tipo de véu islâmico durante os Jogos Olímpicos.”
A proibição genérica do véu islâmico inclui a burca (cobre todo o corpo e rosto, com uma malha ao nível dos olhos), niqab (cobre o rosto e deixa apenas os olhos expostos), hijab (cobre cabeça e pescoço), chador (manto que cobre todo o corpo), shayla (véu longo enrolado no pescoço), al.amira (véu de duas peças), khimar (manto que cobre véu, pescoço e ombros) e abaya (túnica completa).
Recorde-se que o Governo francês começou por proibir o uso de “sinais religiosos ostensivos” nas escolas em 2004, uma decisão que deixou marcas profundas. No final de agosto último, Emmanuel Macron ordenou a proibição da abaya nas escolas, que apesar de alguns incidentes decorreu sem grandes problemas.




