Já morreram tantos socorristas por doenças relacionadas com o 11 de Setembro como no dia dos ataques

egundo o corpo de bombeiros, pelo menos 11 mil bombeiros sofrem de doenças relacionadas ao World Trade Center, incluindo 3.500 que têm cancro – a exposição aos materiais tóxicos após o desastre tem sido associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, doenças respiratórias, cancro e outras doenças

Francisco Laranjeira

O 11 de Setembro continua a ‘reclamar’ vítimas: o número de socorristas do Corpo de Bombeiros de Nova Iorque (FDNY) que morreram de doenças relacionadas com o atentado já atingiu os 343, o mesmo número daqueles que perderam a vida no dia dos ataques terroristas, em 2001.

Em setembro, morreram mais dois membro de FDNY de doenças relacionadas com o 11 de Setembro, logo após o 22º aniversário dos ataques ao World Trade Center, informou, em comunicado, o corpo de bombeiros.



Hilda Vannata, técnica de emergência médica do corpo de bombeiros, morreu a 20 de setembro devido a cancro, relatou – nascido em Porto Rico, mudou-se para Nova Iorque ainda criança, segundo se leu no seu obituário. Ingressou no corpo de bombeiros em 1988 e serviu como paramédica no Batalhão 14-Lincoln Hospital durante 26 anos.

Já o bombeiro reformado Robert Fulco morreu este sábado de fibrose pulmonar. “Há muito que sabíamos que este dia estava a chegar mas a sua realidade é surpreendente da mesma forma”, informou a comissária dos bombeiros, Laura Kavanagh, em comunicado. “343 dos nossos heróis perderam-se nesse dia e hoje mais 343. O FDNY nunca os esquecerá. Este é o nosso legado. Esta é a nossa promessa”, garantiu.

Além do aumento no número de bombeiros e socorristas que morreram após operações de resgate, o número de doenças ligadas aos ataques ao World Trade Center também continua a crescer, salientou Kavanagh. Segundo o corpo de bombeiros, pelo menos 11 mil bombeiros sofrem de doenças relacionadas ao World Trade Center, incluindo 3.500 que têm cancro – a exposição aos materiais tóxicos após o desastre tem sido associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, doenças respiratórias, cancro e outras doenças.

“Muitos de nossos membros apareceram para nós naquele dia fatídico e muitos se perderam. O legado que criámos para eles é de honra e promessa”, referiu Kavanagh. “É por isso que continuamos a defender os sobreviventes e não vamos parar de pressionar até que todos os nossos membros tenham os cuidados que merecem para o resto das suas vidas.”

Mais de 71 mil pessoas estão atualmente inscritas no Registo de Saúde do World Trade Center, que procura monitorizar a saúde dos socorristas do 11 de setembro e de outras pessoas que estiveram nas imediações dos ataques.

Além dos socorristas, os ataques deixaram efeitos contínuos na saúde dos trabalhadores do World Trade Center que evacuaram dos seus locais de trabalho, dos transeuntes, dos residentes dos edifícios circundantes e dos voluntários que passaram algum tempo no marco zero nas semanas seguintes.

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