Uma onda de calor sem precedentes na Antártida – com temperaturas de 21,1 graus Celsius – obrigou os cientistas a andarem apenas de calções em pleno continente gelado.
As alterações climáticas estão a influenciar a intensidade das catástrofes naturais e a contribuir para o aumento das temperaturas em todo o mundo. Na Antártida, as plataformas de gelo estão a derreter a um ritmo mais rápido do que a média do planeta: na verdade, a onda de calor mais severa alguma vez registada na Terra aconteceu no leste da Antártida.
Em março de 2022, uma onda de calor elevou as temperaturas na zona para 15 graus negativos, muito longe da média de 53,8 negativos, uma diferença de 39 graus, segundo apontou um estudo publicado em agosto último – para ‘celebrar’ a ocasião, os investigadores utilizaram calções e até tiraram as camisas para aproveitar as temperaturas excecionalmente altas, noticiou o ‘The Washington Post’.
De acordo com o estudo, a onda de calor foi prevista com até 8 dias de antecedência e resultou de um “padrão de circulação em grande escala altamente anómalo, que direcionou uma massa de ar australiana para a Antártida Oriental em apenas quatro dias e produziu fluxos de calor atmosféricos recordes”.
A onda de calor foi chocante uma vez que ocorreu durante uma época do ano em que a luz sola é escassa. A mudança nos ventos trouxe também humidade, neve e chuva, o que causou o derretimento do manto de gelo na costa leste da Antártida. De acordo com o autor do estudo, Edward Blanchard-Wrigglesworth, cientista atmosférico da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, a flutuação da temperatura era “inacreditável”, o que fez com que as simulações de modelos climáticos não conseguiram prever a anomalia, “apresentando um caminho para melhorias futuras do modelo na simulação de ondas de calor extremas”.
O meteorologista sénior da AccuWeather, Jason Nicholls, salientou que, dada a previsão de que a Austrália terá condições mais secas e quentes conforme se aproxima o verão – e dada a redução do gelo marinho em redor da Antártida – é possível que ocorra outra onda de calor. Por último, o estudo apontou que as alterações climáticas não causaram a onda de calor mas pioraram o fenómenos em cerca de 15 graus Celsius.
“Essas temperaturas extremas são preocupantes, pois essas regiões são oásis-chave de biodiversidade, onde plantas e animais adaptaram-se ao longo de milénios a uma estreita faixa específica de condições físicas”, finalizou o cientista da Divisão Antártida Australiana, Dirk Welsford.
🔥Heat wave in Antarctica, +38 °C (+68 °F) above normal.
That's not an error, or a typo.
The remote research station at Dome C recorded a temperature nearly 40 °C above normal for this time of year, beating the previous March record by a startling 20 °C. pic.twitter.com/HkzydQyQ7A
— Dr. Robert Rohde (@RARohde) March 21, 2022




