França sai este sábado à rua para uma nova marcha em protesto contra a violência policial – cerca de 150 organizações não governamentais, sindicatos, partidos político e associações comunitárias convocam manifestações em toda a França “contra a violência policial, as liberdades civis e o racismo sistémico”. Estão agendados mais de uma centena de comícios em diversas cidades francesas.
Esta ‘marcha unida’ surge na sequência dos recentes tumultos que abalaram o país entre junho e julho, após a morte do jovem Nahel, de 17 anos, baleado por um agente da polícia em Nanterre no dia 27 de junho. “Esta é a primeira data de concentração. Depois da revolta dos bairros operários, temos uma responsabilidade sem precedentes”, indicou Pauline Salingue, porta-voz do NPA (Novo Partido Anticapitalista), numa referência aos tumultos que se seguiram à morte de Nahel.
As organizações que organizaram estas manifestações exigem medidas concretas: revogação da lei de 2017 que flexibiliza as regras relativas ao uso de armas de fogo pelas autoridades policiais, reforma profunda da polícia, especialmente no que diz respeito ao seu armamento e métodos de intervenção.
A modificação de 2017 da lei que rege o uso das suas armas pelos agentes da polícia tem sido alvo de críticas frequentes: desde a sua entrada em vigor, o número de tiroteios por recusa de cumprimento aumentou significativamente. O mesmo acontece com o número de pessoas mortas pela polícia nestas circunstâncias, com um recorde de 13 mortes em 2022.
Os organizadores das manifestações desta sábado apelaram ainda a um vasto plano de investimento, especialmente nos bairros da classe trabalhadora, a fim de restaurar os serviços públicos.
Muitos partidos políticos de esquerda estarão presentes neste sábado para apoiar a mobilização mas o Partido Socialista (PS) e o Partido Comunista Francês (PCF) optaram por não aderir à marcha – uma decisão que decorre da vontade de não “envergonhar toda uma profissão”, segundo um responsável do PS citado pela ‘BFMTV’, que desafiou a ideia de violência policial sistémica. O PS salientou que não acredita “na existência de racismo sistémico dentro da polícia. Mas, no entanto, notamos um aumento preocupante do racismo nas suas fileiras”.





