A Rússia avançou, esta quinta-feira, com a proibição temporária da exportação de diesel, o que fez disparar os preços europeus. A Rússia é a maior exportadora mundial de combustível do tipo diesel, ligeiramente à frente dos Estados Unidos, segundo dados da Vortexa, revelou o site ‘Bloomberg’ – Moscovo exportou mais de um milhão de barris por dia até meados de setembro deste ano, com a Turquia, Brasil e Arábia Saudita como os principais destinos. 7
A proibição, que é extensível também para a gasolina, entrou hoje em vigor e não tem data final, conforme se lia no decreto governamental. Como consequência desta medida, os preços do diesel na Europa aumentaram devido à preocupação de uma escassez global – recorde-se que as refinarias mundiais lutam para produzir o combustível suficiente por entre a redução da oferta de petróleo proveniente da Rússia e da Arábia Saudita.
“Apesar de ser apenas uma proibição temporária, o impacto é significativo, uma vez que a Rússia continua a ser um importante exportador de diesel para os mercados globais”, explicou Alan Gelder , vice-presidente de refinação, produtos químicos e mercados de petróleo da consultora ‘Wood Mackenzie’. “O sistema de refinação global terá dificuldades para substituir os volumes perdidos da Rússia, num momento em que os stocks globais de diesel já estão em níveis baixos.”
O prémio dos futuros de referência do diesel em relação ao petróleo bruto subiu de forma acentuada, ultrapassando os 36 dólares por barril, segundo avançou a ‘Bloomberg’. “As restrições temporárias ajudarão a saturar o mercado de combustíveis, o que por sua vez reduzirá os preços para os consumidores” na Rússia, salientou o gabinete de imprensa do Governo russo.
Foram estabelecidas isenções para fornecimentos menores, incluindo entregas a parceiros de alianças comerciais de algumas ex-repúblicas soviéticas, bem como acordos intergovernamentais, ajuda humanitária e trânsito.
Na proibição estão incluídos todos os tipos de diesel, incluindo misturas de verão, inverno e Ártico, bem como destilados pesados, incluindo gasóleos, de acordo com o decreto.
“Estamos a falar de exportações de cerca de um milhão de barris por dia que estão agora a ser encerradas”, apontou Eugene Lindell, da consultora FGE, garantindo que a Rússia não conseguirá manter a proibição por muito tempo uma vez que em breve ficará sem espaço nos tanques de armazenamento.
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