Os crime online estão em crescimento, em particular os relacionados com burlas. Para além dos esquemas de phishing, com falsos e-mails que parecem ser enviados por autoridades ou entidades reconhecidas, ou esquemas através de Mbway, multiplicam-se também os casos em que os burlões utilizam, na Internet, a imagem de famosos e celebridades, semq ue estes saibam, para convencer as vítimas.
O caso mais recente é o de Ricardo Mexia, ex-presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, que se tornou conhecido dos portugueses durante a pandemia da Covid-19, e que viu a sua imagem ‘roubada’ e usada na publicidade a um produto de emagrecimento no Instagram.
“Já denunciei a situação às autoridades competentes e também a Ordem dos Médicos. A minha perspetiva é a de avisar as pessoas para que não caiam neste esquema que é uma fraude”, indica à Renascença, lamentando que não há um maior controlo e escrutínio na publicidade nas redes sociais, e falta de literacia digital em Portugal.
Não é o primeiro famoso português a tomar uma atitude e a denunciar o caso às autoridades. O ‘cirurgião plástico dos famosos’, Fernando Póvoas, relata ter sido já associado a produtos, chás, gotas e mezinhas para emagrecer, ao longo do último ano.
“Já existiram 118 fotografias minhas para vender produtos e continuo a receber chamadas de pessoas a dizer que já compraram dois frascos e não fez efeito nenhum”, conta à mesma rádio, explicando já ter feito queixas à Polícia Judiciária e ao Ministério Público, mas que não colheram resultados até agora.
Também Catarina Furtado, apresentadora da RTP, viu-se envolvida em vários destes esquemas, com a sua imagem a ser usada indevidamente em produtos para emagrecer, cosméticos e medicamentos para a diabetes. As queixas que fez também não deram resultados.
“Usam imagens alteradas e textos com erros de português, são redes internacionais que têm pessoas em Portugal que recebem dinheiro, mas que as empresas abrem e fecham no mesmo dia. (…) Não conseguem ter um rasto”, diz a apresentadora, recordando uma publicação que usa a sua imagem e que diz que a apresentadora perdeu 70 kg.
Catarina Furtado lamenta que muitas pessoas, em especial mulheres de todas as idades, continuem a cair nestas burlas, evidenciado “problemas de literacia digital”.
Os esquemas ocorrem também noutros setores: com imagens de Mário Centeno a serem usadas para vender plataformas de criptomoedas, ou de Cristiano Ronaldo para apelar a investimentos duvidosos.
A Deco relata muitas queixas de vítimas, com a jurista Maria João Ribeiro a explicar que se alguém fez um contrato à distância na Internet, tem 14 dias para o cancelar legalmente.
A associação alerta para alguns sinais que denunciam estas formas de burla com erros de português ou textos escritos com português do Brasil, e pede muito cuidado nos casos em que são pedidos formulários preenchidos e dados bancários.
Os consumidores, indica a jurista, devem optar sempre por métodos de pagamento seguros, procurar informações sobre produtos e vendedores e assegurar que as empresas têm livro de reclamações, fazendo também ‘print’ de todos os anúncios, páginas, informações e comprovativos de pagamento relacionados com a compra.



