A marca norte-americana de vestuário Gap anuncia saída do seu presidente executivo, Art Peck. A empresa não forneceu os motivos, ainda que sejam apontados os maus resultados do último trimestre.
Art Peck, que ingressou na empresa há 15 anos e lidera a Gap como CEO desde 2015, cede o seu papel de liderança ao membro do conselho Robert Fisher. Fisher actuará como CEO interino após um “breve período de transição”, e Peck também deixará seu assento no conselho, de acordo com um comunicado de imprensa da empresa.
“Em nome de todo o Conselho, quero agradecer a Art pelas suas muitas contribuições para a Gap Inc., com quase 15 anos de carreira na empresa”, disse Fisher em comunicado. “Sob o comando de Art como CEO, fizemos progressos investindo em recursos que são um bom presságio para o futuro, como expandir a experiência do cliente omnicanal e desenvolver os recursos digitais”.
Em conjunto com o anúncio, a Gap também registou quedas significativas nas vendas no terceiro trimestre de 2019, incluindo uma queda de 7% nas vendas comparáveis para a marca homónima, uma queda de 3% na Banana Republic e uma queda de 4% na Old Navy. Em todo o portefólio – que também inclui Intermix, Hill City, Janie e Jack, Athleta, Piperlime e Forth & Towne – as vendas comparáveis diminuíram 4%.
Apesar dos esforços, o CEO não conseguiu revitalizar o crescimento das vendas e o desempenho do terceiro trimestre foi desanimador. Resultado: as acções caíram a pique. Após reportar as suas contas, depois do fecho de Wall Street, a Gap chegou a afundar 12% na negociação fora de horas da bolsa norte-americana, seguindo agora a recuar 7,31% para 16,74 dólares. Foi o suficiente para a administração da empresa não esperar mais: Peck deixará os cargos de CEO e presidente da retalhista, informou a empresa, citada pela Bloomberg.
Este é apenas mais um caso de presidentes executivos a saírem – por decisão própria ou do “board” – da liderança das suas empresas. 2019 foi um ano recorde para os fundadores e executivos deixarem as empresas que construíram. Isto está a ser chamado de o “Grande Êxodo dos CEO” de 2019.
Segundo as contas da Challenger, Gray & Christmas, o número de CEO que deixou as suas funções em Outubro foi de 172 – o que constitui um novo recorde. Tratou-se de um aumento de 14% face aos 151 que saíram em Setembro passado, e de 15% face às 149 saídas de outubro de 2018, refere a mesma fonte. Ainda de acordo com as mesmas contas, entre 1 de janeiro e 6 de novembro, nos EUA, 1332 CEO tinham já deixado o cargo, naquele que é o número mais elevado desde que a Challenger, Gray & Christmas começou a rastrear esta tendência, em 2002. A McDonald’s, Juul, WeWork, Under Armour, Crossfit, eBay e Nike são apenas algumas destas tantas empresas que viram os seus presidentes executivos ir embora, sublinha a CNN. No caso da McDonald’s, por exemplo, o seu CEO, Steve Easterbrook, foi demitido no início deste mês devido ao relacionamento amoroso com outra pessoa da empresa – o que vai contra as regras internas.




