Por Vassili Christidis, CEO da COSEC
A economia portuguesa tem estado a crescer, o que são notícias positivas, mas isso não significa que não haja perigos à espreita. Mas, vamos por partes. Portugal liderou o crescimento económico na Europa no primeiro trimestre, mostram dados recentes. As últimas previsões da Allianz Trade, acionista da COSEC – Companhia de Seguro de Créditos, apontam para que o produto interno bruto (PIB) registe uma subida, no final de 2023, acima da média da Zona Euro. Sabemos também que, três anos após a pandemia de covid-19, o mercado de trabalho na Zona Euro já recuperou. E isto são boas notícias para as empresas em Portugal.
Mas, não é menos verdade que há também um conjunto de incógnitas que têm efeitos na vida das companhias. A inflação, ainda que esteja a abrandar, continua elevada e é uma tendência que prevemos que persista ao longo do ano (a estimativa da Allianz Trade é de uma taxa de inflação de 5,3% para Portugal e de 5,6% para a Zona Euro), sendo este um desafio para famílias e empresas. A somar a isto, há a subida das Euribor, elevando significativamente os custos dos empréstimos. Consequentemente, regista-se a diminuição do poder de compra das famílias, que mostram agora maior retração nos momentos de compra, assim como um comportamento de maior reflexão relativamente aos gastos. No entanto, do lado das empresas, é fulcral continuar a produzir e a vender. Mas de que forma vai evoluir o consumo em Portugal e na Zona Euro? Esta é, atualmente, uma questão central para muitos empresários, a par com a dúvida sobre as expetativas que devem reservar no caso de venderem para as principais economias do euro. Esta situação tenderá a agravar-se com a subida da taxa de desemprego para 7.2% no primeiro trimestre de 2023, impactando a evolução do consumo privado
Em tempos de interrogações, em primeiro lugar, a análise e planeamento deveriam ser palavras de ordem. Analisar a nossa saúde financeira e, depois, perceber como estão os nossos clientes – no sentido de perceber de forma clara os riscos que podem representar – é muito importante. Rever os contratos de crédito com a banca e tentar antecipar os efeitos nas contas de uma subida dos juros, pode revelar-se igualmente um exercício relevante para antecipar cenários. Entre o leque de clientes, perceber os que representam mais de 10% da sua receita total e, caso se verifique uma situação de incumprimento, ter um plano de contingência será uma mais-valia.
Com a guerra na Ucrânia há mais de um ano – e sem se saber como vai evoluir nas próximas semanas e muito menos quando terminará – as economias europeias continuam a estar, de certa forma condicionadas, e continuam também a refletir nomeadamente esses efeitos. A poderosa Alemanha, motor da economia do euro, por exemplo, no primeiro trimestre evitou uma recessão ao ver a economia estagnar, com o consumo privado e a despesa pública a diminuírem. Neste sentido, confirmar a região geográfica onde estão clientes e fornecedores é importante para perceber quais os riscos a que estarão sujeitos.
Sabemos que as insolvências vão crescer tanto em Portugal como em outros países europeus, até porque os apoios públicos atribuídos, e as eventuais almofadas financeiras geradas durante a pandemia, já terminaram. Há, ainda assim, setores com maiores dificuldades que outros. Assim, a análise e a adaptabilidade são uma exigência constante e, por isso, é essencial gerir o crédito a clientes através de um Seguro de Crédito, uma vez que este permite a gestão do crédito a clientes e cobre o não pagamento das vendas a crédito de bens e serviços. Isto é planear o negócio identificando as iniciativas que ajudarão a direcionar a empresa numa vertente de crescimento. Sempre fundamental para qualquer área e setor.
O ritmo a que as economias estão a evoluir é bastante célere. Temos visto que o ritmo é tão vertiginoso que, o que foi acordado há um mês, tendo por base uma determinada projeção – tanto económica como eventualmente de preços de matérias-primas – pode não se aplicar hoje. Isto pode representar riscos mas também oportunidades e, por isso, o contacto regular com clientes e parceiros é também fundamental.
Deste modo, a economia cresce, o que é um fator animador para as empresas. Porém, os preços para o consumidor continuam bem acima daquele que é o objetivo do Banco Central Europeu. Até ao momento, a subida dos juros tem sido a opção escolhida pela autoridade monetária para travar a inflação e Christine Lagarde, após a última reunião, não negou a possibilidade de um novo aumento das taxas de juro em reuniões futuras. Isto significa que as empresas precisam de continuar atentas ao mercado e a analisar riscos e oportunidades.




