Costa promete aumentar investimento no Brasil e Lula diz que país “está de volta” e quer ser “protagonista” no panorama mundial

António Costa e Lula da Silva discursaram esta segunda-feira no Centro de Engenharia e de Desenvolvimento de Produto e Serviço (CEiiA), em Matosinhos, logo após o Presidente do Brasil ter aterrado em Portugal, para uma visita oficial.

Pedro Zagacho Gonçalves

António Costa e Lula da Silva discursaram esta segunda-feira no Centro de Engenharia e de Desenvolvimento de Produto e Serviço (CEiiA), em Matosinhos, logo após o Presidente do Brasil ter aterrado em Portugal, para uma visita oficial.

O primeiro-ministro António Costa sublinhou que este é o momento de “relançar e fortalecer” as relações entre os dois países, especialmente em termos económicos, assinalando que o projeto do avião KC-390 começou qua quando Lula cumpria o anterior mandato como Presidente do Brasil, sendo que os dois regressaram depois a Lisboa na primeira aeronave já entregue pela EMBRAER à Força Aérea portuguesa.

Defendendo que há muito que Portugal e o Brasil podem fazer juntos, Costa referiu que Portugal é o 18º investidor no Brasil, mas diz que “francamente”, temos ” de subir na nossa posição”. Nesse sentido, segundo o governante, é “fundamental aumentar o investimento”. “Vale a pena trabalhar para aumentar as nossas relações comerciais”, sustentou o primeiro-ministro.

Ainda, António Costa assinalou que o Brasil poder “sempre contar com Portugal como verdadeiro ‘ponta de lança'” no que respeita a cordos que o Brasil queira assinar com a UE, referindo o caso da MERCOSUR, que Portugal trabalhará “para a conclusão do acordo”.

Costa felicitou o facto de “o Brasil estar de volta” para anunciar que, depois de um ‘afastamento’ enquanto o país foi liderado por Jair Bolsonaro, há agora condições para que os dois países possam “trabalhar em conjunto” em várias áreas, referindo a Web Summit, que este ano também acontece no Rio de Janeiro, questões de trabalho e ensino, autorizações de residência e também no que respeita à transição climática, sublinhando que EDP e Galp vão investir 5,7 mil milhões de euros em projetos energéticos no Brasil. “Agora que o Brasil voltou não vamos nunca mais deixar o Brasil sair”, defendeu Costa, afirmando que as empresas brasileiras são “muito bem vindas a Portugal”, e que é vontade política que as empresas nacionais, da mesma forma, invistam no Brasil.

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Falou depois Lula da Silva, assinalando que “o Brasil está de volta á civilidade”, não poupando críticas ao seu antecessor, Jair Bolsonaro. “O Brasil esteve afastado do mundo praticamente durante seis anos. Durante seis anos, o país foi recusado por outros países e os outros países recusaram o Brasil. O Brasil não recebia nenhum Presidente, o nosso Presidente não visitava nenhum país. Ninguém tinha interesse em receber pessoas que não se comportavam de forma civilizada”, lamentou.

O Presidente do Brasil diz que agora é altura do país voltar a ganhar “credibilidade” perante o mundo, de forma a captar também mais investimento, para que volte a ser um “país grande, importante e atraente”, em termos políticos e económicos. Lula sustentou que Portugal é uma “porta de entrada” para o Brasil, já que facilita as exportações, e recusa que seja um país “pequeno”.

Lula da Silva elogiou a relação de António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa, apesar das “diferenças” políticas entre ambos, dizendo que “está mudando a cara de Portugal” e, nesse sentido, convidou os dois líderes a estarem presentes num “encontro empresarial no Brasil”, já em 2024.

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Se esquecer o tema da guerra na Ucrânia, Lula da Silva voltou a referir que o Brasil “está de volta” e que quer ser “protagonista” internacional. Nesse sentido, disse estar a desenvolver esforços para “construir a paz”, sustentando que o Brasil tem tentado encontrar uma forma pacífica de terminar com o conflito.

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