L’Oréal pressionada a retirar químicos para alisar o cabelo das prateleiras após estudo encontrar ligação a maior risco de cancro

Numa carta aberta, coordenada pelo grupo feminista inglês Level Up, é exigido à empresa que invista em investigação científica sobre o uso a longo-termo de relaxantes capilares químicos, que tornam mais fácil alisar o cabelo.

Pedro Zagacho Gonçalves

Vários grupos ativistas, organizações não-governamentais e associações estão a pressionar o gigante da cosmética francês L’Oréal para que retire de venda os seus produtos químicos para alisar o cabelo (relaxantes capilares), muito usados por mulheres negras, depois de um novo estudo descobrir uma ligação entre o uso destes químicos e um maior risco de desenvolver cancro.

Numa carta aberta, coordenada pelo grupo feminista inglês Level Up, é exigido à empresa que invista em investigação científica sobre o uso a longo-termo de relaxantes capilares químicos, que tornam mais fácil alisar o cabelo.

Entre as figuras que subscrevem a carta estão politicas de vários espectros partidários, professoras universitárias e investigadoras, escritoras, atrizes e líderes de vários grupos de apoio a mulheres e contra  discriminação.

A campanha em ação surge depois de investigação científica revelar associação entre o uso de químicos para alisar o cabelo com hidróxido de sódio, conhecido como soda cáustica e o aparecimento de cancro. Um estudo dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA apurou que as mulheres que usavam esses produtos várias vezes por ano tinham duas vezes mais probabilidade de desenvolver cancro no útero.

Outro estudo de 2021, publicado no jornal da especialidade da Universidade de Oxford, encontrou ligações entre o uso intensivo de relaxantes de cabelo com soda cáustica e o cancro na mama, apesar de não ter descoberto prova evidente de que há uma ligação entre o uso esporádico e o maior risco de cancro. Nessa altura, os estudo foi considerado como tendo resultados inconsistentes e que, por isso, seria necessária mais investigação sobre o mesmo tema.

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A L’Óreal recusa qualquer ligação ou problema com os químicos para alisar o cabelo e garante ter confiança “na segurança” dos seus produtos.

Em fevereiro deram entrada num tribunal de Chicago 60 processos relacionados com queixas de várias pessoas que acusam a L’Oréal e outras empresas de serem responsáveis pelos cancros que desenvolveram, devido ao uso dos produtos químicos para alisar o cabelo.

Os processos sustentam que as empresas sabiam que os produtos e causa continham químicos perigosos, mas que mesmo assim optaram por publicitá-los amplamente e vendê-los.

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“Todos devemos poder confiar que os produtos que usamos nos nossos corpos são seguros. Como uma das maiores marcas do mundo, pedimos à L’Oréal que use os seus recursos e poder com responsabilidade, e que oiçam as mulheres negras”, pede uma das responsáveis do movimento Level Up, Ikamara Larasi, em declarações ao The Guardian.

Já um porta-voz da L’Oreal responde: “A nossa maior prioridade é a saúde, bem-estar e segurança de todos os nossos consumidores. Estamos confiantes na segurança dos nossos produtos e acreditamos que os processos interpostos contra nós nos EUA não têm qualquer mérito legal. Os nossos produtos são sujeitos a rigorosa avaliação científica quando à sua segurança por especialistas, que também garantem que cumprimos escrupulosamente todas as regulações de tosos os mercados em que operamos”.

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