A Bulgária vai tornar-se, a partir desta segunda-feira, o quarto país da União Europeia a proibir a importação de cereais e alimentos ucraniano – a decisão entra em vigor algumas semanas antes da nova colheita e vai durar até 30 de junho de 2023. Polónia, Eslováquia e Hungria já tinham avançado com a medida.
O primeiro-ministro, Dove Donev, apontou como motivo para a proibição temporária o volume significativo de cereais e alimentos que permaneceram no país no ano passado. Foi também destacada a presença de pesticidas proibidos encontrados em produtos provenientes da Ucrânia.
“Temos a nossa própria produção multibilionária de cereais que, acreditamos, será difícil de comercializar e sofreremos perdas muito graves, se não tomarmos medidas”, garantiu Yavor Gechev, ministro da Agricultura.
Outro país a ponderar juntar-se a estes países é a Roménia. Por enquanto, o ministro romeno da Agricultura anunciou que se irá intensificar os controlos dos cereais importados da Ucrânia. Os camiões serão selados e monitorizados por GPS durante o trânsito através do país.
O preço dos cereais ucranianos é 30% mais baixo do que o preço nacional, de acordo com os agricultores locais. A Roménia afirma ter importado a maior quantidade de cereais da Ucrânia. No entanto, terá recebido o menor montante de compensação – 10,5 milhões de euros – um valor 20 vezes inferior aos danos que tinham sido estimados pelos agricultores.
O ministro romeno da Agricultura, Petre Daea, afirmou: “Pedimos ao ministro ucraniano que utilizasse todos os meios disponíveis para garantir que os operadores económicos ucranianos reduziriam a exportação de cereais e plantas oleaginosas para a Roménia.”
A União Europeia foi lesta a conter a ‘revolta’ dos países vizinhos da Ucrânia e defendeu uma abordagem europeia comum, sendo que a decisão de permitir importações isentas de impostos da Ucrânia também devem manter-se.
Na passada quarta-feira, a reunião com os líderes dos países ‘desalinhados’ fracassou, apesar das medidas de ajuda anunciadas pela Comissão Europeia, que parece disposta a compensar os agricultores. “Recordar-se-ão que já fornecemos um pacote de apoio de 56,3 milhões de euros aos agricultores mais afetados, e estamos agora a preparar um segundo pacote de apoio financeiro de 100 milhões de euros”, explicou Dana Spinant, porta-voz e diretora para a Comunicação Política da Comissão Europeia.
A UE prepara igualmente medidas mais técnicas para evitar que as preocupações dos agricultores se transformem num problema geopolítico que poderia afetar a imagem da UE – mais fraca e dividida. “Medidas unilaterais só podem jogar a favor dos adversários da Ucrânia e não devem corroer o nosso apoio inabalável à Ucrânia”, escreveu von der Leyen.
A Comissão Europeia advertiu que a política comercial da UE é moldada coletivamente e não por cada país membro. Na passada quarta-feira, a Polónia decidiu levantar parcialmente a sua proibição – mas apenas para permitir o trânsito através do seu território, não a venda de cereais ucranianos, uma medida que serviu para desbloquear a situação nas fronteiras com a Ucrânia, onde centenas de camiões ficavam à espera durante vários dias.
Recorde-se que, depois de um bloqueio russo ter impedido os carregamentos de sair dos portos do Mar Negro da Ucrânia, a UE levantou os direitos sobre os cereais ucranianos para facilitar o seu transporte para África e o Médio Oriente por outras rotas e ofereceu-se para pagar alguma compensação aos agricultores dos países de trânsito.





