PJ recebeu mais de 900 queixas por abusos sexuais só nos primeiros três meses do ano. Maioria das vítimas são menores

A Polícia Judiciária (PJ) recebeu 927 queixas de abusos sexuais só nos primeiros três meses do ano (de janeiro a março), segundo o mais recente balanço.

Pedro Zagacho Gonçalves

A Polícia Judiciária (PJ) recebeu 927 queixas de abusos sexuais só nos primeiros três meses do ano (de janeiro a março), segundo o mais recente balanço.

Foram detidas no mesmo período 76 pessoas suspeitas do mesmo crime. Os números foram adiantados esta quinta-feira pela PJ, no mesmo dia em que foi apresentada a nova comissão de acompanhamento das vítimas, que vai chamar-se, o  Grupo VITA — Grupo de Acompanhamento das situações de abuso sexual de crianças e adultos vulneráveis no contexto da Igreja Católica em Portugal, e apresentará publicamente o seu trabalho já a 26 de abril. O organismo será liderado pela psicóloga Rute Agulhas.

A responsável explica à SIC a necessidade de que o tema comece a ser abordado logo na idade pré-escolar. É uma idade em que as crianças já têm um conjunto grande de competências, já conseguem perceber as diferentes partes do corpo, as que são privadas, e o que é que são segredos bons e segredos maus: E já conseguem pedir ajuda quando se sentem menos bem”, adianta.

“Ouvir uma vítima menor é diferente de ouvir um adulto. Exige secções especializadas e muita formação em conseguir que as criança revelem os abusos que sofreram”, explica José de Matos da PJ.

As autoridades apelam a que, sempre que haja suspeitas de abusos, a denúncia deve ser feita o mais rapidamente à PJ, devendo evitar-se intermediários, como professores, amigos ou familiares .

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“Uma criança vítima de abuso sexual é ouvida em Portugal uma média de 8 vezes”, lamenta o responsável da P, enquanto Rute agulhas recorda falar muitas vezes do evento traumático pode prejudicar o processo-crime e afetar o acompanhamento psicológico e consequente recuperação do trauma. “As vítimas dizem ‘já falei disto tantas vezes, agora também tenho direito de arrumar.'”, explica Rute Agulhas.

A maior parte dos abusos sexuais cometidos este ano tiveram como vítimas menores de idade. Ocorreram, como é tendência, em contexto familiar.

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