Chefe do grupo mercenário Wagner pede a Putin que pare a guerra na Ucrânia

“Para as autoridades [russas] e a sociedade em geral, é necessário pôr fim à operação militar especial”, defendeu Yevgeny Prigozhin, numa mensagem que publicou na rede social Telegram.

Pedro Gonçalves

O líder do grupo mercenário russo Wagner, Yevgeny Prigozhin, defendeu o fim da guerra na Ucrânia, sustentando que a Rússia deve dar como cumpridos os objetivos da “operação militar especial” e preparar-se para uma batalha decisiva com as forças ucranianas. Segundo especialistas, a mudança súbita de posição de Prigozhin, visto como aliado de Putin, deve-se ao facto de estar a preparar uma eventual candidatura a um cargo político de relevo.

“Para as autoridades [russas] e a sociedade em geral, é necessário pôr fim à operação militar especial”, defendeu Yevgeny Prigozhin, numa mensagem que publicou na rede social Telegram.

O chefe do grupo Wagner diz que é altura de a Rússia “fortificar-se e agarrar-se com unhas e dentes aos territórios que já conquistou”, vaticinando que deve desenvolver esforços para uma batalha final que ponha fim ao conflito na Ucrânia. “Em teoria, a Rússia já pôs um fim a isto, aniquilando uma grande parte da população masculina ativa da Ucrânia e intimidando outra parte, que fugiu para a Europa”.

O especialista em política militar ucraniano Boris Tiesenhausen afirma ao canal TV FREEDOM que as declarações de Prigozhin devem-se ao facto de agora temer mais do que nunca uma derrota russa na guerra, e que por isso já conta todos os avanços como vitórias, sendo altura de tentar não aumentar o ‘prejuízo’. “Ele disse que cumpriram os objetivos, ou seja, tomaram um pedaço de terra para a Crimeia e mais uns corredores, mataram um grande número de soldados ucranianos, e dizem que isso é que eram os objetivos? Esta é a a visão de Prigozhin, que não é a mesma do que Putin”, assinala.

Em causa, aponta o politólogo e especialista em estratégia militar, está o facto de Prigozhin ter tentado promover-se como ‘o herói da Bakhmut’, posição que poderá ficar em causa, caso as tropas ucranianas consigam avanços nessa cidade, na expectável contraofensiva desta primavera.

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“E se de repente acontecer, que acontecerá, então tudo o que Prigozhin contruiu para a sua imagem, durante tanto tempo, acabará por se desmoronar. Essa vitória está a escapar-lhe por entre os dedos, e o que vemos é que está a ficar nervoso. Ele já está preocupado com a Rússia no pós-guerra”, adianta Boris Tiesenhausen.

Atualmente o chefe do Grupo Wagner não tem qualquer ligação direta a um partido político, movimento ou ao Governo russo, nem sequer ocupou lugares nas empresas do Estado, no entanto, será um objetivou seu começar a trilhar carreira nessa área, pelo que agora que ser “integrado no sistema político” russo.

“Ele já disse ter essas ambições. E é por isso que já está a fazer trabalho nesse sentido, olhando à Rússia após a guerra”, explica o analista, que acredita que Prigozhin responderá a uma ala de apoiantes de Putin mais descontentes.

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“Ele tem uma hipótese, segundo as estimativas e sondagens. Existe cerca de 12 a 15% do eleitorado de direita radical de Putin que agora está um pouco desapontado, por ele não ter utilizado armas nucleares na Ucrânia. Mas Prigozhin, como o ‘homem do martelo, pode conquistar este eleitorado e levantá-lo de volta no apoio ao conflito”, considera.

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