“Não é embaraço nenhum. As nossas posições são claras”: Governo afasta polémica com Lula da Silva a pôr Portugal entre os culpados pela Guerra na Ucrânia

Gomes Cravinho sublinhou que as posições entre os dois países não são necessariamente “homogêneas”.

Pedro Gonçalves

João Gomes Cravinho, ministro dos Negócios Estrangeiros, desvalorizou esta segunda-feira as declarações de Lula da Silva, que afirmou que os países da União Europeia (UE), incluindo Portugal, estavam entre os culpados pela guerra na Ucrânia. O governante negou que as afirmações fossem “um embaraço”.

“Temos uma posição extremamente clara e continuaremos a apoiar a Ucrânia sem qualquer reserva, temos vindo a fazê-lo do ponto de vista político, militar, financeiro, humanitário. Naturalmente que uma politica externa não se faz comentando cismaticamente o que vão dizendo”, começou por dizer Cravinho, recordando que os dois países são soberanos.



“O Brasil desenvolve as suas posições, sabe-se que não são perfeitamente homogéneas com as portuguesas. Isso não obsta minimamente a que haja uma relação muito forte de grande proximidade e uma relação que terá agora, com a visita do Presidente Lula da Silva uma nova oportunidade de intensificação”, considerou o ministro, distinguido as duas questões e afastando a polémica, que levou já alguns partidos, como o Chega ou o Iniciativa liberal a ameaçar com boicotes e protestos, perante o facto do presidente brasileiro ser recebido antes das comemorações solenes do 25 de Abril, na Assembleia da República.

“Não é embaraço nenhum. Como é podíamos estar embaraçados com as posições dos outros? Podíamos estar embaraçados com as nossas próprias posições, se o permitissem, mas as nossas posições são claras”, explicou João Gomes Cravinho, apontando que haverá “oportunidade de ouvir o Presidente Lula em quadro próprio”.

“Não fazemos disto nenhum tipo de drama. A constatação de que a política externa portuguesa e a brasileira não são idênticas é uma constatação que não é uma surpresa”, afirmou o governante, questionado pelos jornalistas.

Sobre os protestos de algumas bancadas parlamentares quanto à visita de Lula da Silva, Gomes Cravinho afirmou que “a política externa portuguesa não se compadece com posições de natureza político-partidária”.

No fim de semana, durante uma visita à China, Lula da Silva apontou dedo aos aliados ocidentais da Ucrânia pela invasão da Rússia. O Presidente brasileiro defendeu que “os Estados Unidos devem parar de encorajar a guerra”, assim como a União Europeia que, segundo Lula da Silva “deve começar a falar de paz”.

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