Investigação do FBI: Espião russo ia pedir nacionalidade portuguesa para conseguir infiltrar-se no Tribunal Penal Internacional

O Departamento de Justiça dos EUA detalha no documento o plano que Sergey tinha: iria “pagar a alguém para lhe obter um falso atestado de residência de forma a poder obter a nacionalidade portuguesa”, e desta forma conseguir candidatar-se a um “trabalho no TPI”.

Revista de Imprensa

Sergey Cherkasov, um espião russo, criou a identidade falsa de Victor Müller Ferreira e pretendia pedir a nacionalidade portuguesa de forma fraudulenta, de forma a depois conseguir infiltrar-se no Tribunal Penal Internacional (TPI) e passar informações à Rússia. Recorde-se que, no mês passado, o TPI emitiu um mandado de detenção internacional para Vladimir Putin, acusando-o de crimes de guerra cometidos no âmbito da invasão russa à Ucrânia.

O caso está a  ser investigado pelo FBI, segundo a revista Sábado, que teve acesso aos documentos da acusação feita contra o espião russo, que trabalhava para o GRU, o serviço de informações militares da Rússia.



O Departamento de Justiça dos EUA detalha no documento o plano que Sergey tinha: iria “pagar a alguém para lhe obter um falso atestado de residência de forma a poder obter a nacionalidade portuguesa”, e desta forma conseguir candidatar-se a um “trabalho no TPI”.

O espião terá conseguido contornar o controlo de segurança do TPI e relata, num email enviado ao GRU, ter sido “aceite na posição de analista júnior da Secção de Exames Preliminares durante o período experimental de seis meses, sem salário”. “Os documentos para a cidadania estão 80% preenchidos e prontos para entrega no Gabinete de Naturalização de Portugal. A única coisa em falta é a prova de residência. Consegui encontrar um vendedor que concordou em aceitar dólares em dinheiro”, detalhava ainda Sergey.

O pedido nunca viria a ser entregue, segundo fonte oficial, mas para o conseguir, o espião recorreria ao passado inventado do seu ‘alter-ego’, a falsa identidade criada.

O russo tinha uma certidão de nascimento falsa, que dava conta do seu nascimento num hospital no Brasil que não existe, e como sendo filho de uma cidadã brasileira, que segundo o Governo brasileiro morreu em 2010 e não tinha filhos, e de um português Júlio J. E. Ferreira, nascido em Angola, e cujo paradeiro é desconhecido.

A partir do momento em que conseguiu a certidão de nascimento, conseguiu documentos oficiais e assumiu a identidade de Victor Müller Ferreira, em 2010. Viveu 12 anos no Brasil com esse nome, tendo também estudado nos Estados Unidos.

Em março do ano passado, Victor Müller Ferreira tentou viajar para Haia, para começar o estágio no TPI, mas as autoridades holandesas, alertadas pelo FBI, impediram a sua entrada e ordenaram o seu regresso ao Brasil. Na chegada tinha já agentes da Polícia Federal à sua espera e acabou detido.

Sergey Cherkasov acabou condenado a 15 anos de prisão no Brasil, mas a Rússia tentou que fosse extraditado para o país de origem, alegando que estava envolvido em crimes de tráfico de droga e que era procurado. Tratava-se de um esquema criado pelo Governo russo para que o espião fosse devolvido, e que não colheu frutos.

 

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.