A crise bancária desencadeada pelos recentes colapsos do Silicon Valley Bank e do Signature Bank ainda não acabou e vai espalhar-se pela economia nos próximos anos, revelou esta terça-feira o CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon. Na carta anual aos acionistas, o presidente-executivo do maior banco dos Estados Unidos destacou os extensos danos que o colapso do sistema financeiro causou a todos os bancos – pequenos e grandes – e pediu ao poder legislativo que pensem com cuidado antes de responder com mais regulamentação.
“Essas falências não foram boas para bancos de qualquer tamanho”, escreveu Dimon, refutando as críticas de que as grandes instituições financeiras beneficiaram e muito com o colapso dos dois bancos. “Qualquer crise que prejudique a confiança dos americanos nos seus bancos prejudica todos os bancos – um facto que era conhecido mesmo antes desta crise”, relatou.
“Embora seja verdade que essa crise bancária ‘beneficiou’ os bancos maiores devido à entrada de depósitos que receberam de instituições menores, a noção de que esse colapso foi bom para eles de alguma forma é absurda”, indicou.
As falências do SVB e do Signature Bank, argumentou, têm pouco a ver com o facto de os bancos contornarem as regulamentações, sublinhando que a alta exposição à taxa de juros do SVB e a grande quantidade de depósitos não segurados já eram bem conhecidos dos reguladores e do mercado em geral.
A recente crise bancária vai impor mudanças regulatórias. “É extremamente importante evitarmos respostas instintivas, malucas ou politicamente motivadas que geralmente resultam em alcançar o oposto do que as pessoas pretendiam”, frisou.
A Federal Deposit Insurance Corporation revelou que vai propor novas mudanças nas regras em maio, enquanto o Federal Reserve está a conduzir uma revisão interna para avaliar que mudanças devem ser feitas. Mas, apontou Jamie Dimon, “o debate nem sempre deve ser sobre mais ou menos regulamentação, mas sobre que combinação de regulamentações poderá manter o sistema bancário dos Estados Unidos o melhor do mundo”.






