O controverso banco de dados de reconhecimento facial, usado por departamentos de polícia dos Estados Unidos, foi construído em parte com 30 mil milhões de fotos que a Clearview AI extraiu do Facebook e outras redes sociais sem a sua permissão, segundo admitiu o CEO da empresa: os críticos acusam a empresa de colocar os cidadãos “numa linha policial perpétua”.
Segundo Hoan Ton-That, CEO da empresa, em declarações à ‘BBC’, a Clearview tirou fotos sem o conhecimento dos utilizadores, o que permitiu a rápida expansão do enorme banco de dados da empresa, que é comercializado no seu site para a aplicação da lei como uma ferramenta “para trazer justiça às vítimas”.
Desde a fundação da empresa, em 2017, a polícia americana entrou quase uma milhões de vezes na base de dados de reconhecimento facial da Clearview AI, revelou Ton-That.
A tecnologia tem, desde há muito tempo, atraído diversas críticas não só de defensores da privacidade como de plataformas digitais. “As ações da Clearview AI invadem a privacidade das pessoas e é por isso que banimos o seu fundador dos nossos serviços e enviámos-lhes uma exigência legal para pararem de aceder a quaisquer dados, fotos ou vídeos nos nossos serviços”, referiu a empresa, em abril de 2020.
Desde então, segundo revelou o ‘Insider’, a Meta “fez investimentos significativos em tecnologia” e dedicou “recursos substanciais da equipa para combater a extração não autorizada de produtos do Facebook”. Mas, apesar das políticas internas, uma vez que a foto chega à Clearview AI, são feitas impressões biométricas do rosto e referenciadas no banco de dados, vinculando os indivíduos aos seus perfis de rede social para sempre.
“A Clearview é uma afronta total aos direitos das pessoas, ponto final, e a polícia não deveria poder usar essa ferramenta”, garantiu Caitlin Seeley George, diretora de campanhas e operações do ‘Fight for the Future’, um grupo sem fins lucrativos de defesa dos direitos digitais. “Sem leis que os impeçam, a polícia costuma usar o Clearview sem o conhecimento ou consentimento do seu departamento”.
Segundo a ‘CNN’, a Clearview AI afirmou, em 2022, que entre os clientes da empresa estão “mais de 3.100 agências dos Estados Unidos, incluindo o FBI e o Departamento de Segurança Interna”.














