Texto de Jorge Farromba

Para esta semana a Honda cedeu o mesmo modelo na versão de topo – Advance com 154 CV – e o artigo será, em tudo, muito similar ao anterior, pois a beleza do modelo mantém-se, o conforto, a tecnologia, a arte de construir um automóvel elétrico para este segmento. Tal como o Parque das Nações disruptivo quando surgiu – e ainda hoje – elegante e preparado para o futuro, assim surge a analogia.
É óbvio que existem diferenças deste modelo para o anterior.
Os faróis arredondados com tecnologia LED, a ausência de espelhos retrovisores substituídos por câmaras de alta definição, puxadores de porta embutidos que reagem à aproximação do condutor, jantes em Liga Leve de 17´, espelho retrovisor interior com câmara, painel digital interativo com 5 ecrãs…. tudo num interior espaçoso, bem construído e ancorado no minimalismo moderno das Apple, Tesla, IKEA e similares.
Ou o que dizer da tração traseira do seu motor elétrico e das baterias sob o piso que lhe garantem estabilidade e onde “detalhes” como o pedal único, melhoram e muito o sistema regenerativo do “e”- agora carro do ano na Alemanha e vencedor também na categoria de novas energias
Para este ensaio, testei o “e” em cidade e todos os atributos se mantiveram, embora se tenha notado uma maior disponibilidade do “e” nos arranques e retomas de velocidade, fruto do incremento de CV. Em termos de estabilidade em curva fechada e “provocado”, sai ligeiramente de frente, para logo no imediato a traseira corrigir essa tendência e ser muito neutro neste tipo de curvas.

O pedal único, que permite uma maior regeneração de energia e travagem sem utilização do pedal central na maior parte das vezes, faz o seu trabalho, sendo que gostaria de ter o botão que o liga e desliga, ao invés de na consola central, no volante e explico porquê. Sendo um elemento que efetivamente trava o veículo, por vezes é preferível deixar o automóvel ir mais solto e quando necessário, ligar o sistema, sendo que ergonomicamente seria, em meu entender, mais prático de o ter no volante.
Então onde me podia diferenciar neste ensaio? Testar o mesmo fora do seu habitat natural – a cidade.
Para isso, considerei o trajeto Lisboa a Vendas Novas e, depois em sentido em sentido inverso de Vendas Novas a Samora Correia, Vila Franca de Xira, Alverca e por fim, em AE de Alverca a Lisboa (total de 200km sensivelmente). Para tal, a Honda refere uma autonomia até 220kms, sendo que carregado a 100% ostentava 158 quilómetros (presumo ter a ver com médias anteriores do carro). Temos de acreditar na marca!
Sendo este um desafio interessante e “sem rede de segurança” faço-me à estrada – já a utilizar o sistema de iluminação LED, ao final do dia e os máximos automáticos. O objetivo foi testar o mesmo em estrada nacional e, sempre que possível com cruise control ligado nos 90km/h, respeitando depois a sinalização da estrada, o que obrigou variadas vezes a reduzir para 50km/hora na passagem em localidades.
Assim, não iria aproveitar muito a regeneração e estaria num meio onde as baterias mais se desgastam – estrada aberta e velocidade mais elevada. Sem sobressaltos o “e” atinge o primeiro objetivo, chegar a V. Novas com 54% de autonomia. À justa chega, teoricamente, para voltar para trás.
O que se destacou nesta parte do percurso? O conforto, o comportamento e as variadas opções de segurança, desde a leitura da faixa de rodagem muito eficaz, radar ativo de velocidade, travagem automática (funciona mesmo!!), sensores de ângulo morto, enfim muitos itens que por vezes em cidade nem são necessários. Um detalhe que notei falta nesta viagem – a ausência de apoio de braços.
Em sentido inverso, nada a assinalar e em Samora Correia a autonomia rondava…. os 42% (encontrei mais semáforos e sei que circulei mais devagar pelo que o sistema regenerava bastante bem). Daí até Alverca pela nacional fui perdendo autonomia mas testei as lombas em Alverca e mais uma vez sobressaiu o conforto do mesmo em absorver as mesmas. Em Alverca entrei na AE e acima dos 90 km/hora o elétrico começou a perder rapidamente autonomia e quando encostei o mesmo no carregador tinha 9% de autonomia e 182 quilómetros efetuados com uma reserva de 20 quilómetros, i.e, 202 quilómetros.
Parabéns à Honda!



