O juiz Matthew Nicklin, do Supremo Tribunal de Londres, recusou esta terça-feira permitir que o rei emérito, Juan Carlos I, recorra da decisão que determinou que não tem imunidade no processo por suposto assédio, movido por uma ex-amante, avança o ‘La Vanguardia’.
No entanto, e apesar desta recusa, o ex-monarca pode pedir permissão para recorrer dessa decisão – emitida na quinta-feira passada – diretamente ao Tribunal de Recurso, algo que os seus advogados indicaram que farão.
Isto acontece depois de na quinta-feira o mesmo tribunal ter recusado conceder a Juan Carlos a imunidade que tinha pedido pelo seu estatuto de membro da família real.
No processo, Corinna zu Sayn-Wittgenstein-Sayn acusa Juan Carlos I de tê-la submetido a “assédios” desde 2012 até ao presente, pessoalmente ou através de “agentes” a seu serviço. Essas ações, segundo a mulher de 58 anos, “ameaçaram” a sua segurança e a dos seus filhos.
De acordo com documentos apresentados pelos seus advogados, Corinna zu Sayn-Wittgenstein-Sayn teve uma “relação romântica íntima” entre 2004 e 2009 com o antigo monarca e pai do atual rei, Felipe VI.
Depois da sua separação permaneceram amigos, mas Juan Carlos teria, alegadamente, em seguida, procurado reavivar a sua relação.
Quando a empresária “indicou claramente a sua recusa”, o antigo rei adotou um “comportamento de assédio”, afirma a acusação, responsabilizando-o por “organizar” uma série de atos maldosos, causando-lhe “angústia e ansiedade”.
Os advogados forneceram ao tribunal detalhes de alguns desses comportamentos – desde invadir a sua propriedade em Inglaterra, até disparar contra o seu dispositivo de segurança e fazer um buraco na janela do seu quarto a meio da noite – que eles acreditam terem sido ordenados por Juan Carlos.
Afirmam ainda que um “associado” de Juan Carlos foi “ameaçador” para ela e para os seus filhos durante uma reunião em Londres em 2012, que Sayn-Wittgenstein-Sayn diz ter sido “cronometrada para corresponder aos arrombamentos nos seus apartamentos no Mónaco e em Villars, Suíça”.
Juan Carlos negou todas estas acusações. O ex-soberano foi uma figura central na transição democrática de Espanha após a morte do ditador Francisco Franco em 1975, tendo abdicado em 2014 devido a uma série de escândalos.
Apesar do encerramento das investigações judiciais contra ele no seu país, Juan Carlos optou por permanecer em Abu Dhabi.










