Ucrânia: rede Starlink de Elon Musk pode colocar militares ucranianos sob a mira da Rússia, alertam especialistas

Além do fornecimento de internet garantido para algumas das cidades atingidas do país, o exército ucraniano tem feito um uso muito bem-sucedido do Starlink para conduzir ataques de drones a tanques e posições russas

Francisco Laranjeira

Os utilizadores ucranianos da rede de internet Starlink podem estar a tornar-se alvos de ataques militares russos devido à aparência distinta dos pratos da SpaceX de Elon Musk, segundo alertaram recentemente diversos especialistas em segurança cibernética. O CEO da SpaceX tem enviado milhares de terminais Starlink e baterias poderosas para a Ucrânia para ajudar o país a permanecer conectado durante o conflito com a Rússia.

Além do fornecimento de internet garantido para algumas das cidades atingidas do país, o exército ucraniano tem feito um uso muito bem-sucedido do Starlink para conduzir ataques de drones a tanques e posições russas. No entanto, o próprio Elon Musk já reconheceu que a aparência distinta dos terminais Starlink pode torná-los alvos de ataques aéreos russo e recomendou aos utilizadores que usem “uma camuflagem sobre a antena para evitar a deteção visual”.

No entanto, os especialistas rejeitaram esta sugestão, alegando que os terminais não podem ser camuflados pois precisam de ter uma visão desobstruída do céu para se conectar aos satélites. “Elon Musk é, no fundo, um vendedor de carros de terceira categoria e um fala-barato”, acusou Nicholas Weaver, professor de ciência de computação na Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, em declarações à revista ‘Insider’. “Ele sabe que um prato Starlink não pode ser camuflado visualmente devido à sua natureza.”

Elon Musk enviou um lote de equipamentos Starlink para a Ucrânia depois de Mykhailo Fedorov, vice-primeiro-ministro do país, ter pedido ajuda ao bilionário, a 26 de fevereiro último – desde então, foram enviados mais três lotes de terminais.

No entanto, o empresário utilizou as redes sociais para deixar o aviso: “O Starlink é o único sistema de comunicação não russo que ainda funciona em algumas partes da Ucrânia, pelo que a probabilidade de se tornar um alvo é alta”, explicou, recomendando cautela.

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“Se a Rússia se importasse e tivesse um avião de guerra eletrónica adequado no ar, eles seriam capazes de localizar e identificar facilmente o transmissor”, explicou Weaver. “O avião é capaz de apontar literalmente para o espaço onde está o prato Starlink.”

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Jason Healey, investigador sénior da Escola de Relações Internacionais e Públicas da Universidade de Columbia (SIPA), nos Estados Unidos, acrescentou: “Qualquer militar moderno pode triangular esses sinais para atingi-los com artilharia ou ataques aéreos ou usar um míssil diretamente à fonte desses sinais.”

Apesar dos riscos, as entregas de terminais Starlink foram muito bem recebidas pela Ucrânia, com o presidente Volodymyr Zelensky a utilizar o Twitter para agradecer ao magnata da tecnologia pelo seu apoio. A rede de satélites está a permitir que a Ucrânia possa operar veículos aéreos não tripulados (drones), sob a sua bandeira ‘Aerorozvidka’, que têm sido usados para atacar os tanques de Vladimir Putin, assim como para rastrear as suas posições. Com essa tecnologia, os drones podem ser direcionados para lançar munições antitanque com precisão.

A Starlink também tem permitido que os militares ucranianos se conectem e forneçam dados de inteligência, uma vez que a internet e as quedas de energia tornaram-se comuns desde o início da invasão russa.

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