Cabaz de oito peixes já ficou 10 euros mais caro desde início do ano

O preço do cabaz alimentar continua a agravar-se em 2026, com o peixe a destacar-se entre os produtos que mais encareceram desde o início do ano.

Pedro Zagacho Gonçalves

O preço do cabaz alimentar continua a agravar-se em 2026, com o peixe a destacar-se entre os produtos que mais encareceram desde o início do ano. Desde 7 de janeiro, as oito variedades de pescado monitorizadas pela DECO PROteste registaram uma subida acumulada de 9,83 euros, o equivalente a um aumento de 11,64%. Comprar um quilo de cada uma destas variedades — bacalhau graúdo, dourada, salmão, pescada fresca, carapau, peixe-espada-preto, robalo e perca — representa agora um encargo de 94,26 euros.

O agravamento dos preços não se limita ao pescado. O cabaz de 63 bens alimentares essenciais acompanhado semanalmente pela DECO PROteste atingiu, na última semana, um novo máximo histórico: 259,52 euros. Desde o início de 2026, o aumento acumulado é de 17,69 euros, o que corresponde a mais 7,32%. Se recuarmos a 5 de janeiro de 2022, os mesmos produtos custavam menos 71,82 euros, uma diferença de 38,26%.

Entre 8 e 15 de abril, os produtos com maior subida percentual foram o pão de forma sem côdea (mais 12%), a cebola (mais 11%) e a alface frisada (mais 8%). Já comparando com a primeira semana do ano, o tomate lidera os aumentos (mais 63%), seguido da couve-coração (mais 42%) e do peixe-espada-preto (mais 30%).

A análise de longo prazo revela aumentos ainda mais expressivos desde o início da monitorização, em janeiro de 2022. A carne de novilho para cozer encareceu 126%, a couve-coração subiu 109% e os ovos aumentaram 84%, evidenciando a pressão prolongada sobre o orçamento das famílias.

O método de cálculo do cabaz baseia-se na recolha semanal de preços nos principais supermercados com loja online. Todas as quartas-feiras é apurado o custo total do conjunto de produtos, com base nos valores recolhidos no dia anterior. Primeiro é determinado o preço médio de cada produto nas várias cadeias onde está disponível; depois, a soma desses preços médios resulta no valor final do cabaz para esse dia.

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Entre os fatores que continuam a pressionar os preços está o conflito no Médio Oriente, que já provocou aumentos nos combustíveis e na energia, afetando as cadeias de abastecimento. A eventual prolongação da guerra poderá agravar os custos dos fertilizantes, muitos dos quais produzidos ou expedidos a partir daquela região, nomeadamente através do estratégico estreito de Ormuz. A estes constrangimentos juntam-se os prejuízos das tempestades de janeiro e fevereiro em Portugal, cujos efeitos poderão ainda não estar totalmente refletidos nos preços ao consumidor.

O histórico recente ajuda a explicar a escalada. A invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, afetou o fornecimento de cereais e matérias-primas essenciais, pressionando os custos de produção agrícola. A limitação da oferta, associada ao aumento dos custos energéticos e dos fertilizantes, refletiu-se nos mercados internacionais e, consequentemente, nos preços ao consumidor. Em abril de 2023, o Governo avançou com a isenção de IVA num cabaz com mais de 40 alimentos, medida cujo impacto foi temporário. Após a reposição do imposto, em 2024, alguns produtos continuaram a subir, como o azeite virgem extra, que atingiu o preço mais elevado em abril desse ano. Já 2025 ficou marcado por aumentos nos ovos, no café torrado moído e no chocolate. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, a inflação fixou-se em 2,3% em 2025, abaixo dos 2,4% de 2024, mas em março de 2026 deverá ter acelerado para 2,7%, mais 0,6 pontos percentuais face a fevereiro, refletindo a persistência da pressão sobre os preços ao consumidor.

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