Ártico perdeu área de gelo de mais de 700 mil km²

Com 14,88 milhões de quilómetros quadrados, a extensão máxima de gelo do Ártico deste ano também foi a 10ª mais baixa no registo do National Snow and Ice Data Center

Francisco Laranjeira

O gelo do Ártico não se está a espalhar tão amplamente como era habitual no inverno, revelou recentemente a NASA. De acordo com o National Snow and Ice Data Center da agência espacial, a camada de gelo atingiu um pico de 5,75 milhões de milhas quadradas (14,88 milhões de quilómetros quadrados) em 25 de fevereiro último – menos 770 mil quilómetros quadrados do máximo médio de entre 1981-2010.

Com 14,88 milhões de quilómetros quadrados, a extensão máxima de gelo do Ártico deste ano também atingiu o 10º valor mais baixo no registo do National Snow and Ice Data Center, não sendo possível ignorar os relatos do início desta semana que indicam que os polos da Terra estão a passar por ondas de calor ‘invulgares’ – com partes do Ártico 30°C mais quentes do que a média.

Normalmente, o gelo do Ártico espalha-se na sua maior extensão em março e recua por volta de setembro – e vice-versa na Antártida.

No Ártico, o gelo tende a atingir a sua extensão máxima por volta de março, depois de crescer nos meses mais frios, e encolhe até à sua extensão mínima em setembro, após derreter nos meses mais quentes. No Hemisfério Sul, o gelo da Antártida segue um ciclo oposto – atinge a sua maior extensão por volta de setembro e a sua extensão mínima geralmente em março.

No polo sul, o gelo marinho da Antártida caiu para uma extensão mínima recorde – 1,92 milhões de quilómetros quadrados, no mesmo dia (25 de fevereiro), menos 190 mil quilómetros quadrados do recorde anterior estabelecido a 3 de março de 2017.

Para estimar a extensão do gelo marinho, diversos sensores de satélite recolhem dados que são processados ​​em imagens diárias – cada célula da grade de imagem abrange uma área de aproximadamente 25 quilómetros quadrados. Desde que os satélites começaram a rastrear de forma confiável o gelo, em 1979, as extensões máximas no Ártico diminuíram a um ritmo de cerca de 13% a cada década, segundo a NASA. Já as extensões mínimas estão a diminuir em cerca de 2,7% por década.

“Essas tendências estão ligadas ao aquecimento causado por atividades humanas, como a emissão de dióxido de carbono, que retém o calor na atmosfera e faz com que as temperaturas subam”, apontou a NASA, que revelou que o Ártico está a aquecer cerca de três vezes mais rapidamente do que outras regiões.

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