Covid-19: Farmacêuticas sem vacinas para responder a ameaça de novas variantes

As grandes farmacêuticas continuam a ser demasiado lentas a desenvolver vacinas e estão principalmente focadas nos lucros.

Executive Digest

A pandemia de Covid-19 ajudou a expor um receio com o qual muitos especialistas e economistas se debateram durante várias décadas. As farmacêuticas não são rápidas a desenvolver vacinas.

O processo para desenvolver uma vacina que seja eficaz a debelar uma nova doença é demorado. Até 2020, as farmacêuticas levavam muitos anos a produzirem vacinas de confiança para enfrentarem doenças. O desenvolvimento da vacina da Covid-19 foi uma exceção, tendo sido produzida em menos de um ano.

Esse desenvolvimento lento é algo que deve gerar preocupação face ao possível de surgimento de uma variante mais transmissível ou que provoque doença mais grave.

Idealmente, por esta altura as farmacêuticas já deveriam disponibilizar um portfólio de vacinas candidatas para serem produzidas e chegarem ao mercado no espaço de pelo menos 100 dias, de forma a responderem a uma variante mais grave do SARS-CoV-2, como refere o Business Insider.

De acordo com um relatório de maio de 2020 do National Bureau Economic Research, o “custo e o risco” na investigação para o desenvolvimento de vacinas inovadoras tem “desencorajado as farmacêuticas”.

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“Os governos e as agências não lucrativas não têm sido capazes de providenciar incentivos atempados e suficientes para o desenvolvimento e fornecimento sustentável” dessas vacinas.

Um bom exemplo dessa demora na investigação e desenvolvimento de novas vacinas contra a Covid-19 reside em duas das farmacêuticas mais bem sucedidas: a Pfizer e a Moderna. Ambas estão a progredir tão lentamente como a indústria farmacêutica fez durante anos, investigando vacinas para variantes como a Delta ou a Ómicron apenas depois de terem surgido.

Isto ajuda a explicar o motivo pelo qual atualmente não há vacinas específicas para variantes do SARS-CoV-2, o que ilustra a dificuldade da indústria farmacêutica.

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“Nós, como indústria, não podemos andar à procura de todas as infeções emergentes que andem por aí. Ainda estamos no modo de perseguição. Não estamos no nível de sofisticação em que podemos prever de forma fiável para onde vai o vírus a seguir”, afirmou o vice-presidente de investigação e desenvolvimento de vacinas da Pfizer, William Gruber.

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