Greve de camionistas espanhóis ameaça abastecimento alimentar. Empregadores pedem fim do protesto “com a máxima urgência” e Exército pode ser chamado

As paralisações começaram a 14 de março e os efeitos já se fazem sentir nas prateleiras de alguns supermercados, onde os corredores de produtos como o leite e as zonas de frescos ficaram vazios

Simone Silva

O protesto dos camionistas espanhóis devido ao aumento dos combustíveis não parece ter fim à vista, ameaçando o abastecimento alimentar no país, com vários produtos a faltar nas prateleiras do supermercado, segundo o ‘El País’.

Esta situação está a tornar-se insustentável, tanto que os empregadores têm feito diversos apelos para que se acabem com a greve “com a máxima urgência”, havendo até quem peça a intervenção do Exército, se necessário.

As paralisações começaram a 14 de março e os efeitos já se fazem sentir nas prateleiras de alguns supermercados, onde os corredores de produtos como o leite e as zonas de frescos ficaram vazios. Problemas de abastecimento também aparecem em fábricas, indústrias e plataformas de construção.

A proposta do Governo, que prometia na segunda-feira um plano de subsídio de 500 milhões no gasóleo para profissionais, não convence boa parte das associações patronais, nem convence a plataforma dos camionistas que convocou a greve.

E diante dos efeitos no consumo, supermercados, grandes lojas e fabricantes pedem uma saída para a crise que está a afetar as suas contas e a colocar em risco milhares de empregos.

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As principais organizações do setor agroalimentar publicaram na terça-feira um comunicado conjunto em que pedem o fim da greve com a “máxima urgência”, considerando que o fornecimento de produtos está a ser colocado em claro risco, bem como a continuidade de milhares de negócios e empregos.

No texto, a que o ‘El País’ teve acesso, as organizações exigiram do Governo “uma intervenção urgente num conflito que se tornou um problema de Estado com impacto na economia e nos cidadãos que não admite demora”.

Os empregadores colocam a conta da crise em 600 milhões de euros e os empregos em risco em 100 mil e reconhecem que estão a tentar substituir os produtos que não estão a chegar ao ponto de venda por outras alternativas “para que o consumidor possa fazer a sua compra o mais normal possível.

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Entre as vítimas que foram obrigadas a interromper a sua produção e fechar as suas fábricas por falta de abastecimento estão empresas como Calvo, Azucarera, Cuétara, Dcoop, JaenCoop, Agrosevilla e fábricas de rações. A par disso, outros como Estrella Galicia, Heineken e Danone anunciaram que seguirão o mesmo caminho se não houver soluções em breve.

Também do ponto de vista político verifica-se um agravamento, com Alberto Núñez Feijóo, presidente da região da Galiza e candidato à liderança do Partido Popular, a assumir fazer oposição crítica ao governo, apresentando dez medidas para resolver esta crise.

As medidas envolvem as forças e corpos de segurança, na escolta de camiões que transportem produtos perecíveis. “E se isso não for suficiente para garantir corredores seguros, em alimentos perecíveis, que o Exército nos ajude a garantir que leite, peixe e carne saiam de seus locais de origem até o destino”, disse citado pelo ‘El Mundo’.

 

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