Desde o início da pandemia da Covid-19, os investigadores da ResearchPath LLC e da Rutgers University dedicaram a sua atenção ao desenvolvimento de testes ao SARS-CoV-2 precisos e confiáveis – conforme surgiram as diferentes variantes, foram capazes de desenvolver um teste que usa sinalizadores moleculares não apenas para identificar a infeção mas sobretudo a variante específica que causa a infeção, de acordo com um estudo publicado no ‘The Journal of Molecular Diagnostics’, que revelou que pode ser executado por qualquer instalação que queira fazer um teste PCR.
“É extraordinário ver que o SARS-CoV-2 não era uma infeção monolítica com um conjunto previsível de características clínicas mas sim uma doença em constante evolução para a qual as diferentes variantes produzem características clínicas únicas que afetam a testagem, sintomas e até mesmo quais os sistemas de órgãos que podem ser atacados”, explicou o investigador principal Sanjay Tyagi, da Rutgers University.
A identificação das variantes específicas pode revelar informações importantes como a duração do período de incubação, duração do período contagioso, transmissibilidade, patogenicidade e até alterações nos sintomas predominantes.
“Saber que uma variante altamente contagiosa e perigosa está a surgir numa comunidade pode informar as autoridades sanitárias e políticas para iniciar medidas de segurança para limitar a disseminação”, frisou o coinvestigador Ashley Hill. “Também pode servir como um sistema de alerta antecipado para sistemas de saúde que precisam de planear surtos nas consultas de urgência e cuidados intensivos. Saber que variante infetou uma pessoa também pode ajudar a determinar quais tratamentos seriam os mais benéficos.”
O estudo foi pioneiro no uso de sinalizadores moleculares para identificar mutações genéticas específicas – os sinalizadores moleculares são moléculas em forma de grampo que podem ser projetadas para se ligar seletivamente a uma sequência mutante específica, evitando sequências do tipo selvagem que geralmente diferem por um único nucleotídeo.
Nove mutações foram selecionadas para teste – cada variante original de preocupação (Alfa, Beta, Gama, Delta e Ómicron) tem uma combinação única dessas mutações – no entanto, os testes conduzidos pelos investigadores estavam totalmente de acordo com os resultados do sequenciamento profundo, com sensibilidade e especificidade de 100%.
“As ferramentas que desenvolvemos para rastrear e identificar as novas variantes serão úteis para esta pandemia e para quaisquer vírus ou patógenos imprevistos que possam surgir no futuro”, referiu Ryan J. Dikdan, principal autor do estudo da Rutgers University. “O vírus SARS-CoV-2 ainda não terminou connosco. Precisamos desesperadamente de um sistema de monitorização mundial para as inevitáveis variantes emergentes que podem ser ainda mais contagiosas ou mortais”, disseram os investigadores. “O novo teste pode ser amplamente implantado em laboratórios em todo o mundo. O ensaio será atualizado com novos conjuntos para cada nova variante importante que surja.”













