Pedro Pinto Leite, especialista da Direção-Geral de Saúde, referiu que Portugal se encontra agora numa tendência de decréscimo de infeções, sendo que o pico de infeções aconteceu no passado dia 28 de janeiro.
“Encontramo-nos numa tendência decrescente. O pico desta incidência terá ocorrido no dia 28 de janeiro”, explicou na sua intervenção na reunião do Infarmed, em Lisboa.
O responsável sublinhou “vários aspetos positivos”, entre os quais a incidência do vírus (1142 casos por 100 mil habitantes a sete dias), que está a descer., bem como a positividade.
Outro ponto positivo é a “elevadíssima proteção” conferida pela vacinação (nomeadamente no reforço vacinal, acima dos 50 anos), que se reflete na diminuição do risco de internamento.
“Vemos uma estabilização do número de casos internados com covid-19 nos hospitais. E temos uma tendência decrescente de internados em cuidados intensivos (menos 17% em relação ao período homólogo)”, indicou Pedro Pinto Leite.
No que diz respeito ao impacto na mortalidade, o cenário é também positivo. A taxa estabilizou, quebrando a tendência crescente até agora verificada. A incidência da mortalidade é de 63 óbitos a 15 dias por um milhão de habitantes.
Em jeito de conclusão, o especialista sublinha que “Portugal está numa situação favorável à revisão de medidas de controlo”.
Nova onda epidémica no próximo inverno
Baltazar Nunes, do Instituto Dr. Ricardo Jorge (INSA), também presente na reunião, refere que “no próximo outono/inverno pode ocorrer uma nova onda epidémica”, devido à perda gradual da proteção dada pela vacinação.
Este comportamento do vírus, segundo o especialista, “sugere um possível padrão de sazonalidade” em que a doença se torna sempre mais grave nos meses frios, referiu.
O R(t) em Portugal é, agora, de 0,76, um valor “muito mais baixo” do que em períodos anteriores – em particular após o Natal, quando chegou a ser de 1,52. Daí para cá, esse indicador tem estado “em queda”, revelou Baltazar Nunes.
“Em cerca de dois meses poderemos atingir uma taxa de incidência muito baixa, de cerca de 60 casos por 100 mil habitantes”, afirmou o especialista, adiantando que o número de internamentos em cuidados intensivos se encontra “abaixo do melhor cenário” traçado.



