Há neste momento cerca de 225 mil crianças entre os 5 e os 11 anos que ainda não foram vacinadas contra a Covid-19, numa altura em que se registam apenas 17 mil pedidos de autoagendamento de primeiras doses para este fim de semana, em que decorre o processo, avança a ‘RTP.
Segundo a estação, a estes 17 mil pedidos para primeiras doses, juntam-se ainda 57 mil crianças que estão a ser convocadas por SMS para receberem a segunda dose da vacina, este fim de semana, esperando-se assim um total de 74 mil menores.
“Isto significa que a mensagem para os pais não passou da forma correta e, de facto, nós temos acompanhado ao longo do tempo o muito ruído que tem existido à volta da vacinação das crianças e do facto de ser ou não necessária e de ser ou não segura”, afirma Gustavo Tato Borges, presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública, à Multinews.
Para o responsável, e perante estes números, “definitivamente importa passar uma mensagem de clareza para os pais, dizendo que esta vacina é perfeitamente segura, tem menos risco de complicações, ou de, por exemplo, ser infetado pela doença, e que é uma mais valia todas as crianças serem vacinadas neste momento”.
“É fundamental que aproveitem a casa aberta que decorre durante a manhã (este fim de semana), que apareçam, para vacinarem os seus filhos e lhes darem maior segurança perante a doença”, apela o medico de saúde pública.
Para estes números mais baixos, contribuíram também as opiniões de alguns pediatras contra o processo, algo que Tato Borges lamenta. “É de lamentar que alguns agentes da nossa sociedade, nomeadamente profissionais de saúde, se tenham manifestado contra esta vacinação e tenham dado opiniões contrárias que levantaram muito ruído e dúvidas sobre a mesma”.
“Por isso volto a fazer um apelo aos pais para que confiem na ciência, confiem nas vacinas, protejam os seus filhos e os deixem mais seguros com estas vacinas”, reforça o especialista, sublinhando a importância deste processo também no controlo futuro da pandemia.
Receio dos efeitos secundários não justifica (só) a falta de adesão
Há relatos de pais com dúvidas, e que têm adiado a vacinação dos filhos porque querem esperar para ver quais os efeitos secundários nas crianças já vacinadas, um fator que por si só, não explica esta fraca adesão, segundo o médico.
“Há de facto muitas dúvidas na vacina, tem uma tecnologia nova, que não era conhecida do grande público e portanto levantou alguma reserva, contudo, se fosse só essa ideia, agora teríamos uma grande adesão porque já se provou que não há efeitos secundários associados”, aponta.
Desta forma, Tato Borges considera que “não é só isso, acho que é também uma falta de noção de utilidade, e uma ideia de que as crianças não têm doença grave, de que a vacina não impede a transmissão e que portanto vacinar ou não é igual ao litro, mas a verdade é que não é”.
“Vacinar as crianças protege-as. Sim, elas podem na maior parte das vezes ter doença ligeira, mas algumas terão doença grave e nesse caso, se estiverem vacinadas o seu risco diminui”, sublinha.
Para além do mais, acrescenta, “há sempre algum impacto na redução da transmissibilidade com a vacina, porque se ela não existisse os números seriam astronomicamente superiores, não só de novos casos, mas também de internamentos e óbitos”.
“Por isso, não há duvidas de que a vacinação é o caminho para podermos entrar naquela fase que tanto esperamos, de tranquilidade, em breve”, conclui o especialista.



