Cordilheiras gigantescas de supermontanhas terão controlado a evolução da vida na Terra, aponta estudo

Pelo menos tão altas como os Himalaias mas com três e quatro vezes a sua extensão

Francisco Laranjeira

Conhecidas como as supermontanhas, as cordilheiras gigantescas pelo menos tão altas quanto os Himalaias e que se estenderam por quase 8 mil quilómetros nos supercontinentes desempenharam um papel crucial na evolução da vida primitiva da Terra, segundo concluiu um estudo realizado por investigadores da Universidade Nacional Australiana (ANU).

A formação destas supermontanhas ao longo da história da Terra foi alvo da curiosidade da equipa de investigadores, que rastrearam usando traços de zircão com baixo teor de lutécio – uma combinação de minerais e elementos terrestre raros, apenas encontrados nas fundações destas montanhas, no qual foram formado sob intensa pressão.

O estudo descobriu que a mais gigantesca dessas supermontanhas formou-se apenas duas vezes na história da Terra – a primeira há entre 2 mil e 1,8 mil milhões de anos e a segunda entre 650 e 500 milhões de anos. Ambas subiram durante os períodos de formação de supercontinentes.

Ziyi Zhu, autor principal do estudo, revelou que existem ligações entre os dois eventos e os dois períodos de evolução mais importantes na história da Terra. “Não há nada como essas duas supermontanhas hoje. Não é apenas a sua altura – basta imaginar os cerca de 2.400 quilómetros dos Himalaias repetidos três ou quatro vezes para ter uma ideia da escola”, explicou a investigadora.

“Chamamos o primeiro exemplo de ‘supermontanha Nuna’, que coincidiu com o provável aparecimento de eucariotas, organismos vivos que mais tarde deram origem a plantas e animais. A segunda, conhecida como ‘supermontanha Transgondwanan’, coincidiu com o aparecimento dos primeiros grandes animais há 575 milhões de anos e a explosão cambriana 45 milhões de anos depois, quando a maioria dos grupos de animais apareceu no registro fóssil”, frisou.

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Jochen Brocks, coautor do estudo, apontou: “O que é impressionante é que todo o registo da construção de montanhas ao longo do tempo é tão claro – e mostra esses dois enormes picos: um está ligado ao surgimento de animais e o outro ao surgimento de grandes células complexas.”

Quando as montanhas erodiram, forneceram nutrientes essenciais como fósforo e ferro aos oceanos, sobrecarregando os ciclos biológicos e levando a evolução a uma maior complexidade.

As supermontanhas também podem ter aumentado os níveis de oxigénio na atmosfera, necessários para a vida complexa respirar.

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“A atmosfera da Terra primitiva quase não continha oxigénio. Acredita-se que os níveis de oxigénio atmosférico aumentaram numa série de etapas, duas das quais coincidem com as supermontanhas”, revelou Zhu. “O aumento do oxigónio atmosférico associado à erosão da ‘supermontanha Transgondwanan’ é o maior da história da Terra e foi um pré-requisito essencial para o aparecimento de animais”, garantiu. Não há evidências de outras supermontanhas que se tenham formado em qualquer estágio entre esses dois eventos, tornando-as ainda mais significativas.

“O intervalo de tempo de há entre 1.800 e 800 milhões de anos é conhecido como ‘Boring Billion’, porque houve pouco ou nenhum avanço na evolução”, disse Ian Campbell, coautor. “A desaceleração da evolução é atribuída à ausência de supermontanhas durante esse período, reduzindo o fornecimento de nutrientes aos oceanos. Este estudo dá-nos marcadores para que possamos entender melhor a evolução da vida precoce e complexa.”

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