Gronelândia: Degelo dos últimos 20 anos dava para inundar os EUA em meio metro de água

Desde 2002, a camada glaciar da Gronelândia perdeu cerca de 4,7 mil milhões de toneladas de gelo, segundo o estudo do ‘Polar Portal’.

Simone Silva

A Gronelândia está a sofrer com um derretimento em larga escala causado pelas alterações climáticas. Segundo os investigadores do Polar Portal, a região perdeu tanto gelo nos últimos 20 anos, que era possível inundar os Estados Unidos inteiros, em meio metro de água.

A pesquisa, citada pelo ‘La Vanguardia’, mostra que o clima está a aquecer muito rapidamente no Ártico, mais do que em qualquer outro local do planeta e o derretimento dos glaciares da Gronelândia é um dos os principais impulsionadores da subida do nível do mar.

Desde que as medições começaram em 2002, a camada glaciar da Gronelândia perdeu cerca de 4,7 mil milhões de toneladas de gelo, segundo o estudo do ‘Polar Portal’, um projeto de vários institutos de pesquisa dinamarqueses do Ártico.

Este número foi obtido através de imagens de satélite do programa GRACE (Gravity Recovery and Climate Experiment), que mostraram que o derretimento do gelo é maior perto das costas do território ártico, à beira da camada de gelo.

Enquanto isso, os cientistas da missão Oceans Melting Greenland (OMG) da NASA também estão a investigar as águas costeiras quentes da ilha, para ajudar a prever melhor o aumento dos mares no futuro.

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Nos últimos cinco anos, a equipa da OMG estudou esses glaciares, descobrindo que dos 226 analisados, 74, localizados em zonas mais profundas, foram responsáveis ​​por quase metade da perda total de gelo da Gronelândia entre 1992 e 2017.

Em contraste, os 51 glaciares que se situam em locais ou cordilheiras mais superficiais registaram uma redução menor, contribuindo com apenas 15% da perda total de gelo.

No caso dos glaciares da Gronelândia, quanto maiores forem, mais rápido derretem. E a culpa é da profundidade que ocupam: locais mais profundos permitem a entrada de águas oceânicas mais quentes do que os superficiais, acelerando o processo.

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Estas descobertas sugerem que os modelos climáticos podem subestimar a perda de gelo glaciar, se não tiverem em conta a erosão de um oceano quente.

Segundo os cientistas, a camada de gelo da Gronelândia contém água suficiente para elevar os oceanos em mais de sete metros, e a camada de gelo da Antártida para uma elevação de quase 50 metros.

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