Quase todas as cidades em países de médio e baixo rendimento com mais de 100 mil habitantes (98%) não cumprem as diretrizes de qualidade do ar da Organização Mundial de Saúde (OMS). De acordo com dados do ‘Global Ambient Air Pollution Database’, as 20 cidades mais poluídas no mundo estão em países em desenvolvimento.
Um artigo ‘O Impacto da Exposição à Poluição do Ar no Desempenho Cognitivo’, conduzido em conjunto por investigadores chineses e americanos, examinou o efeito de exposições cumulativas e transitórias à poluição do ar no desempenho cognitivo e os resultados foram claros: a exposição prolongada à poluição do ar prejudica esse desempenho em testes verbais e matemáticos e as evidências apontam que o efeito torna-se mais pronunciado à medida que as pessoas envelhecem, especialmente para os homens e os menos escolarizados.
Mas não só: a American Heart Association vinculou a poluição à saúde do coração. Especialmente, Russell Luepker, cardiologista e professor da Escola de Saúde da Universidade de Minnesota e membro da American Heart Association, que num artigo publicado pela associação afirmou que “os efeitos agudos de curto prazo da poluição do ar tendem a afetar as pessoas mais velhas ou que já têm doenças cardíacas”. “Por exemplo, alguém com aterosclerose, ou acúmulo de depósitos de gordura no revestimento interno das artérias, apresenta problemas de saúde imediatos, pois os contaminantes desempenham um papel essencial na rutura da placa dos vasos sanguíneos, desencadeando um ataque cardíaco”, explicou.
O Comité Ambiental do Fórum das Sociedades Respiratórias Internacionais garantiu recentemente que há mais consequências para a saúde do que as já citadas. “A exposição à poluição do ar durante a gravidez está associada a resultados adversos da gravidez e redução do crescimento fetal”, explicou, após um estudo que se debruçou sobre quase 3 milhões de nascimentos em 9 países, alertando também que “vários estudos descobriram que a poluição do ar está associada a taxas de fertilidade reduzidas e a um risco aumentado de aborto espontâneo ”.
Um estudo, publicado na revista ‘Environmental Research’, colocou o número de mortes em todo o mundo devido à poluição em mais de 8 milhões como resultado da queima de combustíveis fósseis. Esta atividade foi responsável por cerca de 1 em cada 5 mortes em todo o mundo, de acordo com pesquisa realizada em conjunto pela Universidade de Harvard em colaboração com a Universidade de Birmingham, a Universidade de Leicester e a University College London, do Reino Unido.
O trabalho sugeriu que as regiões com as maiores concentrações de poluição do ar relacionada a combustíveis fósseis – incluindo o leste da América do Norte, Europa e Sudeste Asiático – têm as maiores taxas de mortalidade. Os dois países com mais mortes prematuras são a China, com 3,91 milhões, e a Índia, com 2,46 milhões de pessoas. “A queima de combustíveis fósseis, especialmente carvão, gasolina e diesel, é uma importante fonte de partículas finas transportadas pelo ar e um dos principais contribuintes para a carga global de mortalidade e doenças”, relatam os autores, que estimaram um total global de 10,2 milhões de mortes prematuras por ano que podem ser atribuídas a essa causa.












