Covid-19: Elixires bucais podem reduzir capacidade de infeção do vírus, aponta novo estudo

Uma membrana do SARS-CoV-2 ‘rebenta’ ao entrar em contacto com um composto químico presente em alguns elixires bucais, tendo como consequência uma diminuição da capacidade do vírus infetar células humanas.

Simone Silva

Uma membrana do SARS-CoV-2 ‘rebenta’ ao entrar em contacto com um composto químico presente em alguns elixires bucais, tendo como consequência uma diminuição da capacidade do vírus infetar células humanas, de acordo com um novo estudo citado pelo ‘El Mundo’.

O estudo, realizado pela Universidade de Valência (UV) e pelo ‘Dentaid Research Center’, publicado no ‘Journal of Oral Microbiology’, determina que essa explosão acontece quando o vírus entra em contacto com o Cloreto de Cetilpiridínio (CPC), presente em alguns elixires.

De acordo com um comunicado dos organismos responsáveis pela pesquisa, o SARS-CoV-2 demonstrou ter uma forte afinidade pelos tecidos orais, replicando-se ativamente nas glândulas salivares, razão pela qual, a saliva de indivíduos infetados normalmente tem uma elevada carga viral.

Reduzir a carga viral na boca pode ser uma estratégia para diminuir a sua disseminação e, nesse sentido, diversos estudos têm demonstrado que alguns elixires têm a capacidade de inativar vírus que são transmitidos pelo ar, como a gripe, alguns coronavírus e até mesmo o SARS-CoV-2 .

Atualmente, várias sociedades odontológicas recomendam o uso de elixires com CPC para ajudar a reduzir o risco de transmissão de SARS-CoV-2. Agora, o novo estudo vem completar essas investigações, explicando o mecanismo da atividade antiviral da molécula de CPC.

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Os resultados mostram que a ação antiviral do CPC é produzida graças à sua capacidade de rebentar a membrana do SARS-CoV-2 e, como já foi demonstrado em outros estudos, tem como consequência a redução da capacidade do vírus infetar células humanas.

No estudo, foram geradas partículas pseudovirais (VLPs) que imitam o vírus SARS-CoV-2 , pois contêm as quatro proteínas estruturais do vírus, com o tamanho e a morfologia das suas partículas virais. A única diferença face ao SARS-CoV-2 é que os VLPs não contêm o material genético, o que os torna não infeciosos.

As VLPs geradas foram tratadas com CPC e observou-se que aquelas que estiveram em contato com o composto foram desagregadas, explica Ismael Mingarro, um dos autores do estudo, ao ‘El Mundo’.

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“A desintegração foi observada através de técnicas de microscopia eletrónica, onde foi possível demonstrar como essas partículas rebentam quando entram em contato com o CPC”, sublinha o especialista.

Estes resultados, adianta, “corroboram o mecanismo de ação pelo qual o Cloreto de Cetilpiridínio (CPC) atuaria na membrana do SARS-CoV-2 , causando a sua degradação”, explica Manuel Bañó, investigador do Dentaid Research Center .

O CPC é um ingrediente chave em muitos elixires bucais, funcionando como um antisséptico que mata bactérias e outros microorganismos, como vírus.

Uma das principais características do CPC é a sua estrutura única que pode degradar as membranas virais, permitindo que seja ativo contra um grupo diversificado de vírus  (como gripe ou herpes).

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