Um dos países mais ricos do mundo está cada vez mais perto de ser inabitável

Apesar de ser dos que tem mais recursos é dos que menos faz para combater as alterações climáticas

Teresa Campos

 

Na capital, já não é raro o termómetro ultrapassar os 50 graus e isto mesmo à sombra. Falamos do Koweit, onde o PIB per capita bate os 50 mil euros e onde, apesar dos apenas 4,5 milhões de habitantes, está um dos maiores fundos soberanos do mundo. No entanto, a sua sobrevivência não está propriamente garantida, como conta o El Confidencial. O grande problema é o clima e a falta de medidas concretas para combater a poluição.

Para a maior parte da população é mesmo cada vez mais difícil manter a sua atividade diária. Por exemplo, tentar apanhar um autocarro no centro na cidade do Kuwait, capital do país com o mesmo nome, pode representar um sério risco para a saúde: é que as temperaturas são tão altas, mas tão altas, que esperar pelo transporte ao sol é quase suicida. Como os horários não são fiáveis, a espera pode revelar-se interminável. Isto tudo num ambiente esfumaçado, dado que há carros a circular 24 horas por dia – e no meio de um anticiclone constante, que impede a poluição de sair da cidade.

O pior é que as previsões para o futuro também não são animadoras: segundo revela a Bloomberg, a citar a Autoridade do Ambiente do país outras regiões devem ver as temperaturas subirem em média 4,5°C, entre 2071 e 2100.

Promessas parciais e insuficientes

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Mas não é só. Também os efeitos na vida selvagem há muito que se fazem sentir. As aves aparecem mortas nos telhados durante os meses de Verão, incapazes de encontrar sombra ou água. As clínicas veterinárias estão cheias de gatos vadios, apanhados por pessoas que os encontraram perto da morte, dado o calor e a desidratação. Até mesmo as raposas selvagens estão a abandonar o deserto, que já não floresce depois das chuvas, e invadiram a cidade à procura de pequenas manchas de verde.

A culpa, apontam todos os especialistas e de forma unânime, é em grande parte da inação política e de promessas parciais e insuficientes. Por exemplo, na última Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26), que decorreu em Novembro, o país comprometeu-se apenas em reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 7,4% até 2035.

Uma meta que fica muito aquém da redução de 45% necessária para cumprir o ambicioso objectivo do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5°C até 2030.

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