O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, teve alta hospitalar na manhã desta segunda-feira, depois de ter sido operado, na semana passada, a uma estenose na carótida.
Segundo um comunicado do partido, apesar da alta hospitalar, o responsável vai continuar em recuperação da cirurgia até ao próximo fim de semana, disse, adiantando que o procedimento decorreu com êxito.
Jerónimo de Sousa, foi internado na quarta-feira da semana, para ser operado no dia seguinte a uma estenose na carótida, falhando assim, 10 dias da campanha para as eleições legislativas. O responsável está a ser substituído nas ações de campanha por João Oliveira e João Ferreira.
“No seguimento de exames médicos e de uma avaliação clínica multidisciplinar foi apurada a necessidade de Jerónimo de Sousa ser submetido a uma intervenção cirúrgica urgente da estenose carotídea (à carótida interna esquerda), que não pode ser adiada para depois das eleições”, anunciou o PCP em comunicado na altura.
A cirurgia, que decorreu no Hospital Egas Moniz, visou reparar o estreitamento ou espessamento da artéria que leva o sangue ao cérebro e que pode provocar um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou, menos grave, um Acidente Isquémico Transitório (AIT). O estreitamento ocorre devido à acumulação de gordura ou calcificação da artéria.
Na sexta-feira o partido revelou que a operação tinha sido um “êxito”, tendo sido “concretizados os objetivos cirúrgicos”.
Do que se trata a estenose carotídea?
O que é uma estenose carotídea? A médica Joana Ferreira, especialista em cirurgia vascular, explica à ‘SIC’ que se trata de um “aperto” provocado por “acumulação de placas de gordura” nas artérias carótidas (ocorre mais frequentemente na carótida interna).
Segundo a responsável, as artérias carótidas localizam-se no pescoço, quer do lado direito, quer do esquerdo, e dividem-se na artéria carótida externa e na artéria carótida interna, a que Jerónimo de Sousa vai ser operado e que “fornece sangue ao cérebro“.
A operação é equacionada, adianta Joana Ferreira, quando “o aperto é muito grande, é superior a 70%”, ou quando é inferior mas “há queixas dos doentes ou sintomas de AVC (Acidente Vascular Cerebral) ou AIT (Ataque Isquémico Transitório)”.
Consiste num “corte no pescoço, por localizar as artérias, remover o aperto, e fechar a artéria”. Sendo que, na artéria alvo de intervenção “é muito, muito pouco provável” que volte a ter problemas. Ainda assim, no futuro o doente pode vir a “precisar de intervenção cirúrgica do outro lado, na outra artéria”, ressalva.
Questionada sobre se há riscos, a médica sublinha que “qualquer cirurgia não está isenta de riscos. Esta tem um risco intermédio. [Após a operação], estes doentes são vigiados em unidades especiais, semelhantes às de Unidades Cuidados Intensivos (UCI)”, adianta à ‘SIC’.
“Há o risco de enfarte do miocárdio no pós-operatório”, acrescenta ainda, adiantando, contudo, que “o doente tem mais benefício em ser operado do que em não ser”.






