Ómicron: Sistemas de saúde da Europa sob pressão com aumento de profissionais infetados. Mas pico de casos ainda está por chegar

Os sistemas de saúde da Europa estão a ser pressionados mais uma vez pela rápida disseminação da variante Ómicron da Covid-19, numa altura em que especialistas estimam que o pico de infeções ainda não tenha sido atingido.

Simone Silva

Os sistemas de saúde da Europa estão a ser pressionados mais uma vez pela rápida disseminação da variante Ómicron da Covid-19, numa altura em que especialistas estimam que o pico de infeções ainda não tenha sido atingido.

Segundo a agência ‘Reuters’,  esta pressão intensificou-se durante o período de férias escolares, com um grande número de profissionais de saúde infetados ou em isolamento.

Apesar dos primeiros estudos mostrarem um risco menor de doença grave ou hospitalização pela Ómicron em comparação com a variante Delta, anteriormente dominante, as redes de saúde de Espanha, Reino Unido e Itália, entre outros países, estão agora em circunstâncias cada vez mais difíceis.

O Reino Unido colocou as suas maiores empresas privadas de saúde em alerta máximo esta segunda-feira para oferecer tratamentos essenciais, em caso de níveis insustentáveis ​​de hospitalizações ou ausências de funcionários sobrecarregarem os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (NHS).

Em Espanha, o primeiro-ministro, Pedro Sanchez, disse esta segunda-feira que pode estar na altura de utilizar parâmetros diferentes para rastrear a pandemia, numa altura em que o país regista altas taxas de infeção por Covid-19, que têm impacto nos hospitais.

Continue a ler após a publicidade

Trabalhadores da linha de frente, como enfermeiras e fisioterapeutas, são os mais afetados pela infeção, segundo o sindicato espanhol de enfermagem SATSE. A região de Andaluzia registou cerca de mil profissionais de saúde infetados com o coronavírus nas últimas semanas do ano, “gerando graves problemas na cobertura do serviço”.

Na Holanda, as taxas de infeção também estão a aumentar drasticamente entre os funcionários do hospital, especialmente enfermeiras e auxiliares de enfermagem. Nos piores casos, um em cada quatro testou positivo no período que antecedeu o Natal, e os hospitais estão a ponderar mudar as regras de quarentena para que funcionários infetados que não apresentem sintomas possam vir trabalhar.

Em Itália, o problema dos profissionais de saúde infetados – mais de 12.800 segundo dados recolhidos na semana passada – está a ser agravado pela suspensão de médicos, enfermeiras e pessoal administrativo que não são vacinados e representam pouco mais de 4% da força de trabalho total.

Continue a ler após a publicidade

Rafael Bengoa, cofundador do Instituto de Saúde e Estratégia de Bilbao e ex-funcionário da OMS, disse que em alguns destes países não foram tomadas medidas suficientes para reforçar os serviços vitais e que a pressão vai continuar a aumentar.

“Espanha tem várias semanas – basicamente todo o mês de janeiro – de aumento de casos pela frente o que significa que vai ser atingido um platô que vai cair com a mesma rapidez”, disse à Reuters.

O responsável considera improvável que apareça uma variante mais infeciosa e mais mortal do que o Ómicron, e está otimista de que a onda atual possa sinalizar o início do fim da pandemia, com o pico no horizonte.

“As pandemias não terminam com um grande boom, mas com pequenas ondas porque muitos foram infetados ou vacinados. Depois da Ómicron, não deveríamos ter de nos preocupar com nada mais do que pequenas ondas”, conclui.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.