Rússia: o plano de Putin e as suas terríveis consequências para a Europa

O Ocidente enfrenta um ultimato da Rússia que pode resultar numa guerra real

Francisco Laranjeira

Em 17 de dezembro último, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia publicou dois projetos de texto – um Tratado entre os Estados Unidos e a Federação Russa sobre Garantias de Segurança e um Acordo sobre Medidas para Garantir a Segurança da Federação Russa e dos Estados-Membros da NATO. O objetivo declarado de Moscovo é obter “garantias de segurança jurídica dos Estados Unidos e da NATO”.

O vice-ministro das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov, explicou: “Os dois textos não são escritos de acordo com o princípio de um menu, onde se pode escolher um ou outro – eles complementam-se e devem ser considerados como um todo.” O segundo texto, apontou Ryabkov, é uma espécie de garantia paralela porque “o Ministério das Relações Exteriores da Rússia está plenamente ciente de que a Casa Branca pode não cumprir as suas obrigações e, portanto, há um projeto de tratado separado para os países da NATO”.

A manobra russa é vincular a NATO através dos Estados Unidos e os Estados Unidos através da NATO. Não há como negociar, tem de ser aceite tudo como um todo.

A ameaça russa é explícita e dirigida tanto aos americanos quanto aos europeus. Se o Ocidente não aceitar o ultimato, eles terão de enfrentar “uma alternativa militar e técnica”, segundo o vice-chanceler Alexander Grushko: “Os europeus também devem pensar se querem evitar que o seu continente seja palco de um confronto. Têm uma escolha: ou eles levam a sério o que é colocado sobre a mesa ou enfrentam uma alternativa técnico-militar”, frisou o vice-chanceler.

Após a publicação do projeto de tratado, a possibilidade extraordinária de um ataque preventivo contra alvos da NATO foi friamente confirmada pelo ex-vice-ministro da Defesa da Rússia, Andrei Kartapolov: “Os nossos parceiros devem entender que quanto mais eles arrastam o exame de nossas propostas e a adoção de medidas reais para criar essas garantias, maior será a probabilidade de que sofram um ataque preventivo.”

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O analista político russo Vladimir Mozhegov é mais explícito sobre a natureza da ameaça ao Ocidente. “Quais são os nossos argumentos? Em primeiro lugar, é claro, os nossos aliados mais confiáveis ​​- o exército e a marinha.” Um artigo no jornal digital Svpressa é intitulado “Ultimato de Putin: a Rússia enterrará toda a Europa e dois terços dos Estados Unidos em 30 minutos”. “O Kremlin terá de provar a sua posição com ações. Provavelmente, só é possível forçar os parceiros a sentarem-se à mesa de negociações através da coerção. Economicamente, a Federação Russa não pode competir com o Ocidente.”

No entanto, o que oferecem os russos neste braço de ferro com os Estados Unidos? Comprometem-se a não ameaçar a segurança americana, fazendo lembrar a Guerra Fria. “O que é nosso é nosso, o que é seu é negociável.” Ou seja, manieta a NATO e os Estados Unidos ficam reduzidos a um papel de potência regional. Privados do apoio americano, os países “russofóbicos” na Europa, que cristalizam a resistência à hegemonia de Moscovo, terão de se curvar ao inevitável.

É importante entender o que motivou Putin a lançar esse desafio aos países ocidentais. Como sempre, a política russa é ditada por uma análise cuidadosa da “correlação de forças”, que, de acordo com os especialistas do Kremlin, acaba de favorecer as potências revisionistas antiocidentais. “No próximo ano e meio, a Rússia mudará consideravelmente o equilíbrio de poder global. A explosão da inflação planetária está a causar uma crise de energia, o que torna os europeus muito mais acomodados e exclui o bloqueio de nossos suplementos de energia, façamos o que fizermos.”

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