O amor mudou! Independentemente da aceitação ou não das novas formas de ver o amor e o sexo, não há dúvidas de que cada vez mais pessoas integram os nvoos tempos. A psicóloga e sexóloga Silvia Sanz publicou ‘Sexamor’ para ajudar todos aqueles que querem superar os desafios sentimentais e sexuais que surgem nas diferentes fases de uma relação e nas diferentes formas que temos hoje para viver esses laços, segundo apontou o jornal espanhol ‘ABC’.
Enquanto a monogamia vai de mão dada com a fidelidade, onde mantemos uma relação de afeto, amor e sexual apenas com uma pessoa e que também é recíproca e exclusiva, por outro lado podemos encontrar o poliamor, que é quando dentro de uma relação há abertura a outros tipos de práticas, que podem ir desde a trocas de casais ou ménages. “O poliamor é a coisa mais próxima a abrir uma relação, no qual um casal estável concorda em manter relações com outras pessoas e só há sexo nessa união. Não há um amor romântico em si. Todos os envolvidos nessa relação têm de saber com a existência de outras pessoas”, frisou Silvia Sanz.
Lídia Alvarado, psicóloga especialista em relações, garantiu que a chave para o poliamor é que “todos os envolvidos nessa relação têm de saber sobre a existência de outras pessoas”. Os defensores do poliamor consideram que o amor não tem de ser restringido porque se queremos alguém queremos o melhor para essa pessoa e isso inclui poder expandir o seu amor e a sua vida sentimental. “Os poliamoristas argumentam que quando estamos com alguém, amamos essa pessoa, e queremos o melhor para ela… Isso pode incluir prolongar o seu amor e a sua vida amorosa e é outra forma de entender as relações amorosas, claro, sempre de forma empática e saudável”, precisou a especialista.
Poliamor vs. poligamia
Mas é importante distinguir poliamor e poligamia. Segundo Silvia Sanz, ambos referem-se a múltiplas relações mas há distinções. “A poligamia significa múltiplos cônjuges e é geralmente praticada em casais heterossexuais. Apenas uma pessoa pode ter vários cônjuges de um sexo diferente. A forma mais comum é a poliginia, no qual um homem contrai casamento com várias mulheres”, explicou. Por outro lado, o poliamor refere-se a múltiplas relações românticas ou sexuais, em que o género não é tão importante e muito menos fatores religiosos, no qual os membros do casal chegam a acordo.
Por outro lado, menos frequente, pode considerar-se a poliandria, na qual uma mulher casa-se com vários homens. Em ambos os casos, a religião é um fator determinante para distingui-la do poliamor, uma vez que as pessoas praticam a poligamia devido às suas crenças religiosas.
“Não podemos esquecer as relações assexuadas, casais onde o desejo é mínimo ou não existe, o amor romântico prevalece, e ambos acedem a este tipo de relação. A verdade é que temos uma variedade para escolher como queremos manter um parceiro”, reconheceu Sanz.
A não monogamia pode ter as suas desvantagens. Trazer um terceiro (ou mais) para a relação pode criar uma distração da ligação emocional entre os dois membros iniciais. De acordo com os especialistas, a intimidade na relação pode ser diluída quando os casais ficam mais dispersos. “Embora haja pessoas que pensam que pode ser uma moda passageira e não uma forma diferente de entender o amor, o poliamor é uma forma de entender o amor”, frisou Lídia Alvarado.
“Como conclusão, crescendo numa sociedade em que a monogamia é a filosofia maioritária, o poliamor pode ser complicado – mas há muitas maneiras de entender o amor e esta é uma delas. É possível apaixonar-se por várias pessoas ao mesmo tempo? Sim”, revelou.
Aparentemente, segundo Silvia Sanz, é comum encontrar casos em consulta de casais que queiram praticar a troca de casais e, surpreendentemente, são geralmente relacionamentos estáveis, que levam tempo, com confiança e cumplicidade suficientes para iniciar este estilo de práticas. “Vão à terapia para saber os riscos que pode causar a troca de parceiros, se estão preparados ou os limites que precisam de ser claros quando fazem sexo com outros casais.”
E se pensamos que as ideologias políticas ou religiosas têm a ver com a forma como vemos o amor, estamos muito enganados. “Não há um perfil definido” de personalidades que praticam poliamor. Pode-se dizer que são pessoas entre os 30 e 50 anos, casais que perderam a ‘faísca’ ou “procuram expandir o seu leque de encontros” de forma consensual. “São pessoas com uma ampla tolerância sexual sem tabus”, revelou Silvia Sanz. Ou seja, são verdadeiros casais com laços afetivos e de compromisso, para os quais há exclusividade, sendo o enredo sexual o único que partilham com os outros: “Transgredir a linha de posse do outro é um elemento de excitação”, diz.
Como diz a autora de ‘Sexamor’, identificam-se com as preferências sexuais da maioria mas sentem-se diferentes em termos da liberdade de as realizar, “sem a repressão de relações monogâmicos ou a falsidade de relações extraconjugais em segredo”.













