Canadá: Leis da eutanásia criticadas devido à morte assistida de pobres

Os críticos consideram que a eutanásia está a ser usada para penalizar os pobres do país.

Executive Digest

As críticas às leis da eutanásia no Canadá subiram de tom após terem sido tornados públicos os casos de duas mulheres que fizeram pedidos de morte assistida.

Segundo o The Guardian, num dos casos uma mulher pôs termo à sua vida em fevereiro sob as leis de morte assistida do país. A mulher sofria de uma doença crónica e fez um pedido para ter uma habitação acessível que ajudasse a minimizar o seu sofrimento. Esse pedido foi recusado, o que levou a mulher a fazer o pedido de morte assistida. Há um outro caso com contornos semelhantes – uma mulher que também padece de uma doença crónica e que vive com um pensão de invalidez – e que está quase a receber a autorização final para a morte assistida.



Os dois casos geraram grande mediatismo no Canadá e provocaram revolta entre os canadianos. Os críticos das leis de eutanásia argumentam que estão a ser usadas para penalizar os pobres e os enfermos.

“Habitação inadequada não é um dos critérios elegíveis para a assistência médica na morte. Embora as circunstâncias de vida de uma pessoa possam contribuir para o seu sofrimento, não constituem a condição médica dolorosa e irremediável que tem de existir”, afirmou a médica Chantal Perrot.

Mas ativistas e especialistas consideram que estes dois casos representam o falhanço do país na forma como trata os seus cidadãos mais vulneráveis. Também apontam para uma crise maior no sistema de saúde do Canadá

As críticas não são novas. Quando a legislação sobre o suicídio assistido foi introduzida em 2016, já havia quem sugerisse que as populações mais vulneráveis pudessem ser um alvo destas leis.

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