Depois de Moscovo ter prometido conter os ataques a cidades ucranianas – uma promessa que ainda não foi honrada –, as forças russas estão a retirar-se da central nuclear desativada de Chernobyl, um dias depois de forças militares terem invadido um dos laboratórios de monitorização de radiação, tendo levado material radioativo.
O local do desastre nuclear de 1986 não possui reatores ativos mas serve como instalação de resíduos nucleares da Ucrânia. Cerca de 20 mil conjuntos, cada um com 130 quilogramas de combustível nuclear, estão depositados em lagoas de arrefecimento de água. Mais ainda estão armazenadas em instalações subterrâneas. Chernobyl possui ainda um edifício do tamanho de um hangar para cobrir os restos do reator que explodiu – tanto as lagoas como a cúpula requerem eletricidade para manter o material ainda radioativo dentro de segurança.
Após a tomada das tropas russas, no final de fevereiro, a central teve um apagão que durou cinco dias – a monitorização da radiação, ventilação e iluminação tiveram de ser desligadas para reduzir o esforço dos geradores a diesel que servem de backup. Foram mantidos no local 211 técnicos, que trabalharam sem para durante quase um mês até terem recebido autorização para descansar, a 21 de março.
A Rússia está em processo de reposicionamento de tropas e incluiu as de que estavam em Chernobyl, que se deslocaram para a vizinha Bielorrússia. Mas Anatolii Nosovskyi, diretor do Instituto para Problemas de Segurança de Centrais Nucleares, garantiu à ‘Science’ que isótopos radioativos usados para calibrar instrumentos, bem como pedaços de resíduos radioativos, foram roubados de um dos laboratórios de Chernobyl. No entanto, isso não é motivo de preocupação, afirmou o engenheiro nuclear Bruno Merk, da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, no ‘New Scientist’. O destino de “poderosas fontes de radiação gama e de nêutrons” e amostras do reator destruído de outro laboratório permanecem desconhecidos, pois Nosovskyi disse que perdeu o contacto com a instalação.
Quando as tropas russas entraram pela primeira vez na zona de exclusão de 30 km ao redor de Chernobyl, os sensores notaram um aumento de 10 vezes na radiação gama. Especialistas especularam que isso provavelmente deveu-se aos veículos militares pesados, que levantaram nuvens de poeira radioativa – mas ainda não está claro exatamente o que aconteceu.













