A Rússia é acusada pelas autoridades e organismos internacionais de estar a contribuir para a devastação das populações do peixe conhecido como ‘redfish’, no norte do Atlântico, ao desrespeitar propositadamente as regras que limitam a sobrepesca desta espécie.
No Mar de Irminger, perto da Islândia e Gronelândia, cresce o redfish, chegando a atingir um metro de comprimento e capaz de viver até 60 anos. Tornou-se um símbolo do porquê de a Rússia estar entre os piores países no que diz respeito ao índice de pesca ilegal, não-reportada ou não regulada. É o segundo pior país numa lista de 152, segundo os dados de 2021.
Depois de muitos anos a ser pescada, a cada três anos cientistas da Islândia, Alemanha e Rússia juntavam-se para aferir os ‘stocks’ naturais disponíveis do peixe e, em 2020, concluíram que as populações naquele local estavam a reduzir drasticamente.
O Conselho Internacional de Exploração do Mar (ICES) recomendou que parasse toda a pesca daquela espécie no Mar de Irminger, e todos os territórios e Estados acederam ao pedido. Menos a Rússia, que recusou categoricamente parar de pescar este peixe em águas internacionais, recorda o The Guardian.
Os dados mostram que a Rússia não fez caso dos sucessivos avisos, e continua ainda agora a pescar redfish a níveis preocupantes. Se em 2017, ainda antes do aviso do ICES, a Rússia capturava mais de 24 toneladas de redfish, em 2021, já depois de todos os outros países terem parado a captura da espécie, continuavam a ser mais de 22 as toneladas capturadas pelo país.
A espécie é especialmente sensível à sobrepesca, e pode estar em risco. “Todos os peixes vão ser pescados a este ritmo, eventualmente. Ainda que o façam e que continuem a fazer, porque é rentável, a realidade é que podem estar a pescar o último cardume”, lamenta Kristján Kristinsson, biólogo do Instituto de Investigação Marítima e Fluvial da Islândia.
“Simulações mostram que, mesmo com os níveis de captura ainda mais abaixo, há uma alta probabilidade de os stocks de redfish não conseguirem recuperar na próxima década”, explica o secretário-geral do ICES, Alan Haynie.
Mesmo com as sanções internacionais aplicadas à Rússia, o peixe capturado continua a ser muito rentável, até porque acaba vendido e transformado por outros países como a China e a Coreia do Sul, onde o produto final já leva o rótulo que ‘esconde’ a origem do pescado.
Com a pressão redobrada, e os alertas de cientistas e organismos internacionais, o Instituto de Investigação em Pesca e Oceanografia Federal da Rússia, responsável pela coordenação das pescas, já garantiu que, apesar de não concordar com as evidências científicas apresentadas, se que a população de redfish está em decréscimo, vai deixar de pescar a espécie em 2023 “como gesto de boa-fé”.
Se o gesto será para cumprir ainda é algo que terá de se observar, sendo certo que as consequências para a população daquela espécie no norte do Atlântico vão sendo cada vez maiores todos os dias.





