O responsável da área dos transportes da Comissão Europeia demitiu-se do cargo após ter sido revelado que terá recebido viagens grátis na companhia Qatar Airways enquanto a equipa que liderava estava a negociar um acordo milionário de aviação com Doha.
Henrik Hololei, diretor-geral do departamento de transportes da Comissão Europeia saiu do lugar numa altura em que enfrena uma investigação interna aos voos alegadamente recebidos, para apurar se houve algum conflito de interesses no episódio.
Hololei abandona o cargo no departamento, conhecido em Bruxelas como ‘DG MOVE’, mas continua a desempenhar funções na Comissão Europeia: será consultor político sem responsabilidades de gestão no departamento responsável pelas parcerias internacionais, segundo revela o Politico.
Um porta-voz da Comissão confirma que Hololei começará a desempenhar as novas funções já a partir de dia 1 de abril. a saída do cargo foi anunciada pelo próprio num email enviado aos colegas.
“Queria dizer-vos que sexta-feira será o meu último dia na DG MOVE. Estou certo de que tem visto as últimas notícias sobre a minha participação em conferências internacionais”, começa por explicar.
“Isto tornou-se uma distração e está a impedir a DG MOVE de avançar com as iniciativas que são tão importantes para um sistema de transportes mais seguro, mais sustentável, mais inteligente e mais resiliente que a Europa precisa e merece. Pedi a minha demissão e transferência para outro posto, que vou assumir na DG INTPA”, finaliza o responsável na missiva enviada.
Hololei viajou pelo menos 9 vezes de forma gratuita em voos da Qatar Airways, entre 2015 e 2021. Seis dos voos ocorreram enquanto o acordo para acesso ao mercado europeu estava a ser traçado entre o Qatar e a União Europeia, e quatro destes foram pagos pelo Governo de Doha, ou por grupos com ligações a altos responsáveis qataris.
A revelação veio resultar numa onda de críticas e de pedidos de demissão, bem como de revisão das regras. A Comissão Europeia começou por negar que Hololei tivesse violado quaisquer regras, mas logo depois tomou medidas para reforçar as mesmas normas, para garantir que o comportamento não pode ser repetido por nenhum oficial da Comissão no futuro.
O caso surgiu numa altura especialmente dedicada, em que as instituições europeias tentam salvar a sua reputação no âmbito do escândalo de corrupção que recaiu sobre o Parlamento Europeu, conhecido como Qatargate, e que já levou Ursula von der Leyen a prometer reforçar medidas de combate a este crime dentro das instituições da UE.









