Há três praias em Vila Nova de Milfontes que estão à venda por 2,5 milhões de euros. E já há interessados

“Este terreno tem 16 hectares, com 900 m2 de construção, com vista mar e rio. Inclui duas praias marítimas e uma praia fluvial”, lê-se na página da imobiliária.

Pedro Zagacho Gonçalves

O anúncio está na página de uma famosa imobiliária, e diz respeito a um terreno ‘de sonho’, em Vila Nova de Mil Fontes, que inclui três praias, duas marítimas e uma fluvial. Mas quem já estiver a pensar no negócio de uma vida, saiba que o terreno em causa, para além de obviamente ter uma área de construção muito limitada, tem uma história envolvida em polemica.

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“Este terreno tem 16 hectares, com 900 m2 de construção, com vista mar e rio. Inclui duas praias marítimas e uma praia fluvial”, lê-se na página da imobiliária, sem fazer referência ao facto de o terreno também incluir dois restaurantes, uma estrada e um estacionamento e até um posto da Polícia Marítima.

O terreno conhecido como Alfarol, conta o Expresso, é propriedade de duas famílias, que nos anos de 1980 se envolveram numa ‘guerra’ com a autarquia da Odemira, por ter construído uma estrada no terreno que, como conseguiram provar em tribunal, lhes pertencia há centenas de anos (desde o século XVII ou XVIII), sem autorização. Assim, como a lei não tem retroativos, a legislação que diz que é proibido que as praias sejam propriedade privada não se aplica.

O terreno em causa é também zona protegida pelo Plano de Ordenamento do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e integra a Reserva Ecológica Nacional. Está também inserida no Programa de Orla Costeira Espichel-Odeceixe, estando ainda sob outras proteções. Isto significa que a construção no espaço é limitada.

“Está salvaguardado o interesse público em todas as suas dimensões”, garante a Câmara de Odemira, explicando que quem venha a comprar o terreno em causa “terão sempre que respeitar os instrumentos de ordenamento do território, bem como as condicionantes de utilização associadas”.

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A associação Zero questiona a área de construção indicada no anúncio, que parece exagerada, mas o agente imobiliário justifica que, apesar dos documentos registarem 900 m2 de construção, só em 80% desse espaço pode haver construções, e garante que há autorização para que se ergam estrutura de apoio nas praias.

O agente garante ainda ao semanário que já há clientes interessados em comprar o terreno com as duas praias, explicando que estes não têm como objetivo impedir o acesso ao local ou criar quaisquer conflitos.

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