Taliban defendem recente execução pública: castigo é “comando divino” de Deus

Execução pública de um homem acusado de assassinato e condenado à morte – a execução foi feita pelo pai da vítima – enfrentou reações generalizadas de organizações de direitos humanos e de outros países

Francisco Laranjeira

Após a condenação internacional da primeira execução no Afeganistão desde a chegada dos taliban ao poder, um porta-voz do Emirado Islâmico, Bilal Karimi, garantiu que a execução, que decorreu na passada quarta-feira na província ocidental de Farah, foi realizada após muitas investigações e avaliações.

“A execução decorreu após muitas investigações, alinhadas com a (lei) islâmica. Todos os lados não devem ter qualquer preocupação a esse respeito e devem respeitá-lo”, explicou o vice-porta-voz do Emirado Islâmico.



“O líder supremo falou e disse que lutámos tanto, lutámos durante 20 anos com os pagãos para garantir um sistema islâmico e que agora que Deus nos deu, Deus quer que asseguremos os seus mandamentos divinos”, reforçou Mohammad Ismail Rahmani, membro sénior do Emirado Islâmico.

A execução pública de um homem acusado de assassinato e condenado à morte – a execução foi feita pelo pai da vítima – enfrentou reações generalizadas de organizações de direitos humanos e de outros países. “A ONU opõe-se fortemente à pena de morte em todas as circunstâncias e pede às autoridades que estabeleçam uma moratória imediata com o objetivo de abolir a pena de morte”, escreveu a Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (UNAMA), na rede social Twitter.

“A implementação de (Hudud) é um comando da Sharia e sua implementação é obrigatória, mas apenas se a situação o justificar”, referiu Aziz Maarij, ex-diplomata.

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