O Comité de Ação Política (PAC) do antigo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terá alegadamente pago a algumas testemunhas envolvidas na investigação do Departamento de Justiça sobre os documentos confidenciais do Estado encontrados na sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida, revelou o jornal americano ‘The Washington Post’.
De acordo com algumas testemunhas anónimas, o PAC teria pago as taxas aos participantes na investigação – incluindo as pessoas que participaram tanto na defesa como na acusação do caso contra Trump. Especificamente, o Comité de Ação Política terá pago 114 mil euros ao escritório Brand Woodward Law, que representou uma testemunha que saiu em defesa de Trump e outra que o criticou.
Embora não haja impedimento legal nos Estados Unidos para que terceiros paguem honorários aos advogados dos participantes de um julgamento, é uma prática que pode desencorajar a cooperação das testemunhas. “Não há impedimento para terceiros pagarem honorários advocatícios, desde que o cliente seja informado. A obrigação ética do advogado é com o cliente”, justificou Stan Brand, principal advogado do escritório Brand Woodward Law.
No entanto, o ex-procurador-geral Jim Walden, em declarações ao ‘The Washington Post’, afirmou que o acordo de pagamento levanta preocupações sobre se o reembolso de honorários advocatícios pode influenciar o que as testemunhas dizem ou fazem. “Parece que o PAC está a pagar pelo silêncio dessas testemunhas para que elas aceitem a Quinta Emenda ou para depoimentos mais favoráveis”, acrescentou.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos está a investigar a posse de centenas de documentos classificados por Trump na sua residência na Flórida, em Mar-a-Lago, depois de ter deixado a Casa Branca. Alguns dos documentos recuperados em junho pelo FBI continham informações altamente confidenciais, incluindo relatórios sobre as capacidades nucleares de um país estrangeiro, atividades de inteligência na China e o sistema de mísseis do Irão.













