Vítimas de abusos sexuais estão a processar a Igreja Católica, exigindo que propriedades sejam arrestadas para que lhes sejam pagas as custas judicias e processuais. Em causa está um processo contra os Irmãos Maristas, na Austrália, cujos elementos foram acusados de abusos sexuais contra várias vítimas, incluindo menores.
Três sobreviventes da instituição da Igreja Católica, segundo o The Guardian, chegaram à acordo com os Irmãos Maristas. Ficou estipulado que seria a instituição a pagar os custos judiciais envolvidos no processo, mas, passados 28 dias, prazo combinado, não foi feito qualquer pagamento.
Assim, as três vítimas, identificadas como ‘MM’ ‘MJ’ e ‘HG’, pediram agora ao tribunal que sejam arrestadas propriedades da Igreja Católica, como a sede dos Irmãos Maristas em Sidney, para compensar os sobreviventes.
A ordem Católica diz que houve um “infeliz atraso” no pagamento, e culpa uma “terceira parte envolvida” pelo erro, garantindo que está a tentar ultimar o pagamento às vítimas.
Depois de já terem feito diversos avisos, as vítimas deram entrada com várias moções no Supremo Tribunal, em Nova Gales do Sul, tendo esta instância decidido avançar com a ordem policial para arresto dos bens esta segunda-feira.
“Os Irmãos Maristas estão a gastar uma fortuna dada pelos seguidores Católicos para tornar mais difícil a vida de vítimas de abuso sexual infantil, de um caso múltiplo, ao nível de uma pandemia, de pedofilia nos Irmãos Maristas”, denuncia uma das vítimas, justificando o porquê de avançar com o processo contra a Igreja Católica.
As três moções juntas totalizam um valor que, segundo a avaliação consultada pelo The Guardian, não será suficiente para cobrir o dinheiro a que as vítimas têm direito, pelo que outros edifícios, eventualmente Igrejas, poderão acabar arrestados pela justiça australiana.
“Eu sou apenas uma de nove vítimas. Entre os nossos casos, chegam a passar 20 anos. Aconteceu na época dos meus irmãos mais velhos, na minha época, e agora, na altura dos meus irmãos mais novos”, lamenta a mesma vítima.




